Roberto Stuckert Filho/PR
Roberto Stuckert Filho/PR

A gente pode dar uma envergadinha, mas não quebra, afirma Dilma

Em Pernambuco, presidente diz que seu compromisso é vencer a crise e que "nada vai me demover desse caminho"

Igor Gadelha, enviado especial, O Estado de S. Paulo

22 de dezembro de 2015 | 19h03

Floresta (PE) - Sob gritos de apoio de movimentos sociais e palavras de solidariedade de políticos da região, a presidente Dilma Rousseff utilizou discurso em inauguração de estação de bombeamento do projeto de Integração do Rio São Francisco, nesta terça-feira, para mais uma vez defender seu mandato. A petista afirmou que seu compromisso é vencer a crise e que "nada vai me demover desse caminho". Segundo ela, "a gente pode até dar uma envergadinha, mas não quebra".

"Vivemos num país democrático, com um governo que tem um compromisso: meu compromisso é vencer a crise e continuar garantindo trabalho, emprego de qualidade e renda para a população brasileira. Nada vai me demover desse caminho", afirmou. Apesar de não citar explicitamente em nenhum momento o processo de impeachment do qual é alvo, ela ressaltou que tem "orgulho de ter um patrimônio só: meu nome, meu passado e meu presente". 

"Quero dizer para vocês que sou daquele tipo muito característico do Nordeste: a gente pode até dar uma envergadinha, mas não quebra, não", declarou, ouvindo gritos de "não vai ter golpe" de representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) presentes ao evento. Os manifestantes também gritaram e ergueram faixa pedindo a saída do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que deflagrou o processo de impeachment de Dilma.

Em sua fala, Dilma aomda garantiu que, apesar das crises econômica e política pela qual o Brasil passa, a obra de Transposição do Rio São Francisco será concluída em 2016, como previsto. "Até porque esse País é grande o suficiente para, ao mesmo tempo em que faz equilíbrio fiscal e das contas do governo, investir em obras como essa", disse. "E como o Minha Casa Minha Vida, que é outro programa que não vamos parar de jeito nenhum".

Além dos movimentos sociais, a presidente recebeu apoio de políticos da região, como a prefeita de Floresta, Rorro Maniçoba (PBS). A gestora disse ter ciência da "grave crise" que assola o Brasil, mas ressaltou que Dilma está legitimada pelo "maior instrumento democrático: o voto livre e diretor". " Meu desejo é que seu governo avance, porque isso significa respeito à democracia e aos direitos. Torcer contra um governo referendado pelo voto popular é torcer contra o Brasil", afirmou.

O governador de Pernambuco, Paulo Câmara, fez uma defesa mais tímida. Após destacar o esforço do governo federal nas obras de combate à falta d´água no Nordeste, ele afirmou que é importante que os brasileiros tenham "compreensão" do momento que passa o Brasil. O político do PSB, partido que ainda não tomou posição oficial sobre o impeachment, defendeu a "união nacional" para superar os "desafios em 2016", para que o País volte a crescer. 

Agenda estratégica. Antes de vir a Pernambuco, Dilma esteve na Bahia. Em Salvador, onde participou de cerimônia de inauguração de uma estação e de um trecho do metrô , ela também saiu em defesa do seu mandato. Ela reconheceu que o processo de impeachment está previsto na Constituição Federal, mas vira golpe quando não encontra respaldo jurídico. Da capital baiana, ela seguiu para Camaçari (BA), onde entregou unidades habitacionais do Minha Casa Minha Vida. 

A agenda de Dilma pelo Nordeste faz parte da estratégia da presidente para buscar apoio popular, em meio à pressão que vem sofrendo com o processo de impeachment. A região é um dos principais redutos eleitorais do PT e onde a maioria dos governadores e prefeitos tem dado respaldo à continuidade da petista na presidência da República. Para a cúpula do PT, a salvação do mandato de Dilma depende de sua reaproximação com a militância e com os movimentos sociais. 

Dentro dessa estratégia de criar uma agenda positiva, o governo anunciou durante o evento em Floresta (PE), a liberação de R$ 285,25 milhões para construção de redes conectoras de abastecimento das comunidades localizadas em um raio de até 5 quilômetros dos canais integrados ao Rio São Francisco. Os recursos liberados são oriundos do orçamento do Ministério da Integração Nacional e serão liberados por meio de termos celebrados com os governos de Pernambuco, Ceará e Paraíba.

Dos R$ 285 milhões, Pernambuco receberá a maior parte (R$ 134,8 milhões), seguido por Ceará (R$ 93,9 milhões) e Paraíba (R$ 35,7 milhões). O restante será destinado a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde. Segundo a Integração Nacional, o montante deverá ser utilizado na implementação, operação e manutenção do sistema de abastecimento de água em de 23 comunidades de quatro etnias, sendo três em Pernambuco e uma Bahia.

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