À frente nas pesquisas, petistas esperam nova ofensiva de Serra

Coordenadores da campanha do PT acham que os resultados das pesquisas forçarão os tucanos a mudar a estratégia, obrigando Serra a subir o tom

Andrea Jubé Viana

16 de agosto de 2010 | 16h45

BRASÍLIA - O comando da campanha presidencial de Dilma Rousseff (PT) acredita que seu principal adversário, o tucano José Serra, vai tentar reduzir a vantagem aberta pela petista nas pesquisas com uma postura mais ofensiva no próximo debate. Dilma, Serra e Marina Silva (PV) voltam a se confrontar nesta quarta-feira, 18, em São Paulo, em debate promovido pelo portal UOL.

 

Um dos coordenadores da campanha de Dilma revelou à Agência Estado que ela comparecerá ao debate preparada para responder a perguntas espinhosas que Serra não lhe fez no primeiro debate realizado pela Rede Bandeirantes, no último dia 5.

 

Eles acham que os resultados das últimas pesquisas forçarão os tucanos a mudar a estratégia, obrigando Serra a subir o tom nos debates. Até então, ele tem se apresentado como o candidato do pós Lula e chegou a incluir o nome do presidente da República no jingle de campanha, numa tentativa de aproximar sua imagem do petista. "Quando o Lula da Silva sair, é o Zé que eu quero lá", diz um dos versos.

 

Eles esperam que, desta vez, Serra faça perguntas sobre temas embaraçosos para o PT, como as ligações do partido com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e os movimentos sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), as acusações de aparelhamento da máquina pública e o envolvimento de lideranças do partido no mensalão, escândalo de corrupção que marcou o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

No debate da Band, Serra surpreendeu os petistas ao não abordar esses temas. No lugar da polêmica, o tucano acabou pegando Dilma desprevenida ao acusar o Ministério da Educação de suspender os recursos para as Associações dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes) - mote para um dos itens de seu programa de governo, que é a criação do Ministério Especial para a Pessoa com Deficiência.

 

A vantagem de oito pontos de Dilma, que aparece com 41% das intenções de votos na última pesquisa Datafolha, contra 33% para Serra, surpreendeu os tucanos. O Datafolha alinhou-se aos demais institutos, que já indicavam a liderança da petista. O instituto Ibope já havia mostrado Dilma cinco pontos à frente de Serra, ela com 39% da preferência do eleitorado, ele com 34%.

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