A exemplo de diretora, dono da Gautama não diz nada à CPI

Zuleido Veras é acusado de ser o pivô de quadrilha que fraudava licitações em vários Estados do País

Tiago Décimo, de O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2008 | 18h10

O empresário Zuleido Veras, dono da Construtora Gautama e acusado de ser o pivô de uma quadrilha que fraudava licitações em vários Estados do País, descoberta pela Operação Navalha, da Polícia Federal, no ano passado, compareceu, na manhã desta terça-feira, 29, à sede da PF em Salvador (BA). Ele deveria ser ouvido por três deputados da Câmara Legislativa do Distrito Federal que integram a CPI da Gautama, que apura irregularidades em obras realizadas pela construtora no Distrito Federal. Os deputados Bispo Renato Andrade (PR), Júnior Bruneli (DEM) e Cabo Patrício (PT), porém, não conseguiram tirar nenhuma palavra do empresário.   Veja Também: Ex-diretora fica calada durante depoimento   Veras chegou à PF pouco antes das 9h30, horário marcado para o depoimento, acompanhado do advogado Marcelo Leal de Oliveira, e portando o hábeas corpus que lhe garantia o direito de não responder às perguntas dos deputados. Desde a chegada, nada disseram - nem durante os mais de 60 minutos de interrogatório. "Tínhamos a expectativa que ele esclarecesse alguns fatos, mas ele não quis colaborar", afirma Cabo Patrício. "Temos elementos suficientes, porém, para denunciar o empresário ao Ministério Público", acrescenta Andrade. De acordo com ele, o esquema montado pela Gautama no Distrito Federal causou desvios de verbas públicas de "pelo menos R$ 3,5 milhões". As irregularidades foram detectadas na contratação de obras de macrodrenagem da Bacia do Rio Preto, por parte do Ministério da Integração Nacional, que liberou R$ 145 milhões para a intervenção. De acordo com Cabo Patrício, os trabalhos da CPI serão encerrados no próximo dia 12.   Além de Veras, prestaram depoimento dois funcionários da Gautama, Florêncio Melo e Gil Jacó, apontados pela CPI como os responsáveis pelos pagamentos de propina para que a construtora vencesse os contratos. Ambos também estavam amparados por hábeas corpus e recusaram-se a responder à maioria das perguntas. Melo, porém, abriu uma exceção: em determinado momento do interrogatório, admitiu que foi a Brasília algumas vezes e que, na capital federal, se encontrava com o ex-deputado Pedro Passos (PMDB), também investigado pela CPI. Passos renunciou ao ser acusado de participação no esquema.   Operação Navalha   O empresário Zuleido Veras é acusado de ter chefiado um grande esquema de fraudes em licitações e desvio de recursos públicos por todo o País, desmanchado pela Polícia Federal em maio do ano passado, durante a Operação Navalha. Foram presas, na época, 46 suspeitos, em nove Estados. Depois de ouvidos pela PF, todos foram liberados.   Em julho, a Gautama foi declarada inidônea pela Controladoria Geral da União (CGU) e, depois, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), o que impede a construtora de ser contratada pelas instâncias do poder público.

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