Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

À espera de recurso, João Paulo investe contra STF e imprensa

Único deputado ainda em liberdade rebate quem diz que mensalão foi o maior escândalo do País: ‘Desvio do ISS foi maior’

João Domingos e Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

13 Dezembro 2013 | 23h06

Brasília - Para um auditório com metade das cadeiras ocupadas, o único deputado federal condenado no processo do mensalão em liberdade, João Paulo Cunha (SP), voltou a dizer nesta sexta, 13, durante o 5.º Congresso Nacional do PT, que não cometeu nenhuma irregularidade quando foi presidente da Câmara (2003 a 2005) e que a pena de 9 anos e 4 meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal foi "injusta".

João Paulo foi condenado por lavagem de dinheiro, corrupção passiva e peculato. Ele entrou com embargos infringentes, recurso previsto quando o réu é condenado por maioria apertada dos magistrados, e aguarda decisão do Supremo sobre os pedidos.

Para o parlamentar, corrupção não tem termômetro. "Se rouba R$ 1 ou R$ 1 milhão é a mesma coisa", afirmou. João Paulo comparou o mensalão com o escândalo dos fiscais que cometiam fraudes em um esquema de sonegação do Imposto Sobre Serviços (ISS) em São Paulo. O deputado disse que a Procuradoria-Geral da República apontou desvios de R$ 141 milhões no mensalão, enquanto os desvios na capital paulista teriam chegado a R$ 500 milhões.

Mais uma vez, João Paulo negou que tenha havido desvio de dinheiro público no mensalão. "A Visanet é privada e dizem que é dinheiro público; os empréstimos do PT foram comprovados pelo Banco Central e dizem que é desvio de dinheiro público", afirmou.

Para João Paulo, o País vive "tempos sombrios". "Daqui a 40, 50 anos, quando os historiadores se debruçarem sobre os registros desse caso em jornais e TVs, vão ver um Brasil. Mas se olharem a vida do povo, vão ver outro", disse. "Esse País que a elite registrou, por intermédio da mídia, é o País do ponto de vista deles. Não é o País do povo."

Cores. Na quarta-feira, em discurso na Câmara, João Paulo disse que não renunciará ao mandato e apresentou uma revista com sua defesa. Nesta sexta, voltou a distribuir a publicação. João Paulo era o único a usar camiseta vermelha. Os parentes de outros condenados estavam de branco, segundo eles, em solidariedade aos presos, que só podem usar essa cor.

O ex-presidente da Câmara também criticou o que considera tratamento diferenciado aos réus do processo do mensalão mineiro – parte do caso foi desmembrado, o que garantiria mais de uma instância judicial.

João Paulo atacou a oposição por dizer que o mensalão é o maior escândalo político do Brasil. "Maior escândalo de quê? Eu já li que foi o maior escândalo político. Foi maior que a ditadura militar? Foi maior que o Estado Novo? Foi maior do que a escravidão? Foi maior do que deixar as mulheres sem votar até 1932? Foi maior do que deixar os analfabetos sem votar até 1989? Foi maior do que deixar o índice de analfabetismo que temos até hoje? Foi o maior escândalo político?"

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