ED FERREIRA/ESTADAO
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À espera da lista de Janot, deputado estuda dividir advogado com outros políticos

Ex-líder do PP na Câmara Nelson Meurer sugere defesa conjunta para 'baixar custos' com eventual processo pela Lava Jato

Fábio Brandt, O Estado de S. Paulo

06 de março de 2015 | 15h16

Brasília - O ex-líder do PP na Câmara dos Deputados, o deputado Nelson Meurer (PR) afirma que, se o Supremo Tribunal Federal decidir investigá-lo em decorrência da Operação Lava Jato, poderá se associar a outros colegas na mesma situação para tentar conseguir preço mais baixo dos advogados.

Segundo reportagem do Estado, políticos com mandato são maioria entre as pessoas que a Procuradoria-Geral da República pediu para o Supremo Tribunal Federal investigar.  O procurador-geral Rodrigo Janot encaminhou solicitações de inquéritos contra 54 pessoas e 45 seriam parlamentares. O Supremo deve divulgar os nomes dos citados ainda na tarde desta sexta-feira, 6.

"Se o ministro Teori Zavascki autorizar abertura de inquérito, vou ser obrigado a ter advogado. Cada um vai defender a sua situação. O que pode haver, e não aconteceu, porque você nem sabe quem vai ficar nessa abertura de inquérito, é talvez procurar um advogado só para tentar baixar o custo dos advogados", afirmou Meurer.

Para ilustrar o raciocínio, o deputado deu um exemplo com valores hipotéticos. "Por exemplo: se eu sozinho for contratar advogado, ele vai me cobrar R$ 50 mil. Mas, se eu arrumar mais três companheiros... Isso se eu estiver na lista, porque até agora é a imprensa que está falando... Eu posso pegar três companheiros e falar: olha, faz R$ 20 mil para cada um e defende os três".

Meurer deu a declaração após ser questionado se o PP iria oferecer uma defesa centralizada para todos seus filiados que, eventualmente, forem investigados. Segundo ele, caso os políticos tentem ter um único advogado, isso não terá nada a ver com a legenda.


Preocupação. Um grupo de políticos do PP, preocupados com os desdobramentos da Operação Lava Jato, consultou o advogado Michel Saliba, em Brasília, para saber como lidar com a possibilidade de serem investigados pelo STF. As consultas foram relatadas por participantes das conversas.

Saliba já defende políticos do partido em alguns processos na Justiça Eleitoral e, em 2014, foi responsável pela defesa do ex-petista André Vargas durante o processo que culminou com a cassação de seu mandato na Câmara dos Deputados.

Ao menos 10 políticos do PP foram citados nos depoimentos de delação premiada do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, que aceitou colaborar com as autoridades em troca de punições mais brandas. O grupo inclui o senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional da legenda.

Em público, os políticos evitam falar sobre o assunto. Procurado pela reportagem, o atual líder da legenda na Câmara, deputado Eduardo da Fonte (PE), afirmou que Saliba "sempre está pela [sala da] Liderança do partido", mas que não houve "nenhuma consulta pré-marcada para tratar de qualquer assunto".

Fonte e Ciro Nogueira participaram, de acordo com relato do deputado Simão Sessim (PP-RJ), de uma reunião em que foi pedida "valiosa ajuda" a Paulo Roberto Costa em favor de uma empresa locadora de veículos. Além disso, Costa afirmou às autoridades que foi Eduardo da Fonte quem o apresentou ao ex-presidente nacional do PSDB Sérgio Guerra.

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