A empresários do Centro Oeste, Cunha diz que ajuste fiscal é 'pífio'

Presidente da Câmara diz que país vive 'crise de confiança' e ironiza declarações da presidente Dilma Rousseff sobre 'dobrar a meta' 

Daniel Carvalho, O Estado de S. Paulo

18 de agosto de 2015 | 15h06

Brasília - Em palestra para empresários da região Centro Oeste nesta terça-feira, 18, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), criticou o ajuste fiscal promovido pelo governo federal, classificando-o como "pífio". Cunha disse que o País vive uma "crise de confiança" e, sem citar nominalmente a presidente Dilma Rousseff, parodiou a declaração da petista sobre dobrar metas não estabelecidas ao discorrer sobre a reforma tributária.

Cunha disse que as crises política e econômica enfrentadas pelo Brasil são "irmãs siamesas", mas que a prioridade é debelar os entraves políticos. "É preciso que a gente saiba enfrentar as duas separadamente, mas a prioridade é sempre resolver a crise política porque ela te proporciona as condições políticas para enfrentar a crise econômica. A crise política permite a imagem da segurança para aqueles que querem enfrentar a crise econômica", disse Cunha em palestra na terceira edição do evento "Visão Capital", promovido pelo "Jornal de Brasília".

Ao falar sobre o ajuste fiscal, Cunha afirmou que o País vive uma "crise de confiança". "Muito do que a gente vive da crise econômica de hoje não (é) só por modelos equivocados que possam ter sido implantados no passado na administração da economia, mas é também pela perda da confiança que a sociedade tem no comando da economia", afirmou.

"Vivemos, mais que a crise econômica, a crise de confiança. O ajuste fiscal, em si, é pífio e ele não tem nem relevância numérica no problema da falta de superávit. Ele é muito mais simbólico, com o objetivo de mostrar que se tem controle sobre as contas públicas e, consequentemente, gerar perante os investidores a segurança de que o dinheiro vai ser aplicado num País que vai dar certo", disse Cunha, acrescentando que "a confiança tem que ser restabelecida".

"Deixamos de ser a bola da vez aos olhos da comunidade internacional. Precisamos voltar a ser a bola da vez", disse o peemedebista.

Reforma. Aos empresários, Eduardo Cunha se posicionou contra o aumento da carga tributária, considerando a medida "longe de ser inteligente".

Ao prometer colocar em votação o texto que sair da comissão que discute o tema na Casa entre setembro e outubro, concluindo-a até o final do ano, Eduardo Cunha parodiou uma declaração de Dilma Rousseff feita em julho deste ano, quando ela tentava explicar a meta estabelecida para o Pronatec.

"Como diria..., primeiro a gente atinge a meta. Depois a gente dobra a meta. (risos) Vamos tentar atingir a meta e, depois, se possível, a gente dobra", afirmou Cunha, sem mencionar o nome de Dilma, arrancando risos contidos da plateia.

A frase utilizada por adversários para ironizar a presidente ganhou grande repercussão nas redes sociais: "Não vamos colocar meta. Vamos deixar a meta aberta, mas, quando atingirmos a meta, vamos dobrar a meta", disse Dilma sobre o Pronatec Aprendiz em 28 de julho.

Questionado por um dos empresários sobre o "clima político" para que a presidente Dilma conclua seu mandato, Cunha se esquivou. "Prefiro não entrar neste tipo de debate. Seria alimentar um tipo de debate que não cabe a mim. Prefiro não responder. O dia a dia vai acabar respondendo", afirmou. 

O presidente das Câmara, no entanto, criticou a estratégia do governo de dar pouco tempo à Casa para discutir propostas encaminhadas pelo Executivo. E citou como exemplo o projeto de lei que altera a regra de remuneração do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). 

"O tema está lá, anunciado ha muito tempo. O problema é que o governo só resolve discutir o assunto de verdade quando faltam cinco minutos para o time entrar em campo. Nunca discute quando você avisa que o jogo é daqui a dois meses. Eles tendem a empurrar com a barriga. Se tivesse tido a boa vontade que estão tendo hoje certamente a gente chegaria a um acordo", afirmou. 

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