A 'difícil' vida de foragido na Suíça

Freiburghaus é apontado como 'operador' pela PF

GENEBRA, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2015 | 02h35

O homem investigado no exterior a pedido das autoridades brasileiras como suposto operador de propinas da Odebrecht não está escondido em um bunker ou foragido num local distante. Ontem, às 15h40 no horário europeu (10h40 em Brasília), Bernardo Freiburghaus estava na fila de um dos cinemas mais movimentados do centro de Genebra.

O nome dele foi incluído na lista vermelha da Interpol, a Polícia Internacional, que mantém representação em 181 países. A medida limita os deslocamentos do alvo. Se ingressar em território que integra a comunidade policial, Freiburghaus pode ser detido. A pedido do Brasil, a Suíça investiga o suspeito por lavagem de dinheiro, mas não fez nenhuma ação para prendê-lo.

Nascido no Brasil e filho de pai suíço, Freiburghaus foi um dos alvos da nova fase da Lava Jato, que investiga o esquema de corrupção na Petrobrás. Ele foi um dos investigados que teve mandado de condução coercitiva decretado pela Justiça Federal. A PF esteve nos endereços indicados, mas não encontrou o suspeito nem sua empresa. Após a deflagração da Lava Jato, ele deu baixa no passaporte brasileiro e mudou para a Suíça, da qual também é cidadão.

"Para nós ficou bem caracterizado que ele (Freiburghaus) deixou o País em função da Operação Lava Jato", afirmou o delegado da Polícia Federal Igor Romário de Paula. "Em relação à empresa Odebrecht, o operador desde muito já é identificado, é o Bernardo Freiburghaus. Infelizmente, ele saiu do País e se encontra na Suíça", disse o procurador Carlos Fernando Lima.

"O operador por ela (Odebrecht) contratado para o repasse da propina e lavagem de dinheiro, Bernardo Schiller Freiburghaus, destruía as provas das movimentações das contas no exterior tão logo efetuadas e, já no curso das investigações, deixou o Brasil, refugiando-se no exterior, com isso, prejudicando a investigação em relação as condutas que teria praticado para a Odebrecht", afirmou o juiz Sergio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato, ao decretar as prisões executadas na sexta-feira.

Cinema. Ontem, o doleiro foi ao cinema como milhões de pessoas pelo mundo para assistir a Jurassic World com a família. Durante a projeção em 3D, divertiu-se e riu com a superprodução.

Ao deixar a sala, não evitou falar com o Estado como da última vez em que foi abordado, há dois meses, e xingou a reportagem. Na ocasião, ao ser questionado sobre o envolvimento com o esquema na Petrobrás, Freiburghaus só respondeu que "não conhecia ninguém".

Dessa vez, ele se dispôs a conversar, mas não quis comentar a nova fase da Lava Jato, que prendeu as cúpulas da Odebrecht e da Andrade Gutierrez. Questionado sobre seu nome estar na Interpol, lamentou. "É, a vida não está fácil", disse, antes de seguir em direção à sua casa.

Para ir ao cinema, ele caminhou cerca de um quilômetro até o centro comercial na movimentada Rue de la Confederation. Em seu apartamento, estimado em US$ 3,5 milhões e situado em área nobre, Freiburghaus colocou tapumes nas janelas da cozinha para manter sua privacidade. E para sair de casa, preferiu usar a porta dos fundos. / J.C.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.