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A demanda e a oferta

Forte desaprovação das principais lideranças do País está consolidada e não deve mudar até as eleições; a demanda por mudanças é alta, mas a oferta não se concretizou

Danilo Cersosimo, O Estado de S.Paulo

19 Agosto 2018 | 19h32

As eleições de outubro estão cada vez mais próximas, mas o mau humor do brasileiro em relação às principais lideranças do País continua elevado. O Barômetro Político Estadão-Ipsos de agosto* sugere que nesse cenário de desaprovação generalizada, a imagem dos presidenciáveis pouco tende a mudar. 

No último ano, as opiniões em relação ao ex-presidente Lula e ao deputado Jair Bolsonaro foram as que mais se consolidaram – aqueles que os aprovam, tendem a fazê-lo totalmente. Ainda que tenham alta desaprovação de boa parte da opinião pública (51% e 61%, respectivamente), seus indicadores de aprovação (47% e 24%, pela ordem) vem se traduzindo em intenção de voto, conforme demonstram as pesquisas de opinião divulgadas ao público nos últimos meses.

Em abril de 2016, mês da votação do impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff e com o País em ebulição, o Barômetro Político Estadão-Ipsos já detectava o anseio por nomes de fora da política – o juiz Sérgio Moro era aprovado por 54% dos brasileiros, enquanto Joaquim Barbosa aparecia em segundo lugar com 50% de aprovação.

Marina Silva, de desempenho considerável nas eleições presidenciais de 2010 e 2014, figurava em terceiro lugar, com 48% de aprovação. O palhaço e deputado federal Tiririca vinha logo atrás, com 43%; Aécio Neves (ainda não atingido publicamente por escândalos de corrupção) obteve 31%. Na sequência, a aprovação de nomes nacionalmente pouco conhecidos na política se misturava a personalidades de fora dela, como por exemplo Celso Russomanno (29%), Romário (28%), Rodrigo Janot (17%), Jair Bolsonaro (16%) e Fernando Haddad (13%).

É verdade que a aprovação a um nome não necessariamente se traduz em intenção de voto, como também é verdade que estamos analisando um grupo específico de nomes cujos indicadores poderiam mudar se avaliados em uma lista com opções diferentes, mas tal fotografia capta muito bem o início da ruptura com atores tradicionais e a demanda por nomes de fora da política (a vitória de João Dória nas eleições municipais em São Paulo possivelmente seja a melhor ilustração deste processo). 

O sentimento antissistema cresceu e se fortaleceu ao longo dos meses seguintes e, em dezembro de 2017, o Barômetro Político Estadão-Ipsos mostrava Luciano Huck com 57% de aprovação, seguido por José Luiz Datena (48%), o médico Drauzio Varella (46%), o ex-presidente Lula (45%), o juiz Sérgio Moro (40%), Joaquim Barbosa (37%), Roberto Justus (33%), Marina Silva (28%), Geraldo Alckmin (19%) e a agora presidente do STF, Cármen Lúcia, também com 19%. Ou seja, entre os dez nomes mais aprovados, seis eram de fora da política.

Alguns dos nomes avaliados ao longo dos últimos anos sequer cogitaram entrar na vida pública. Outros, fizeram menção, mas não consumaram tal empreitada. Luciano Huck e Joaquim Barbosa talvez sejam os melhores exemplos deste fenômeno.

Ainda em dezembro de 2017, o Pulso Brasil da Ipsos mostrava que 52% dos brasileiros preferiam que o próximo presidente da República fosse alguém novo na política. A demanda era por novidade, mas a oferta de novos nomes não se concretizou.       

*Pesquisa realizada entre os dias 1.º e 11 de agosto de 2018, através de uma amostra nacional representativa de 1.200 entrevistas domiciliares conduzidas por meio de questionário estruturado.

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