À CPI, diretor da Petrobrás nega irregularidades em obra

Ouvido como testemunha, Hugo Repsold, responsável pela área de Gás e Energia da estatal, foi pressionado a falar sobre esquema de corrupção e irritou parlamentares

Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

08 Abril 2015 | 07h45

Brasília - Em um depoimento morno na CPI da Petrobrás nesta terça-feira, 7, o diretor de Gás e Energia da estatal, Hugo Repsold Júnior, negou irregularidades nas obras do Gasene, gasoduto construído entre o Rio de Janeiro e a Bahia. Durante pouco mais de duas horas, o executivo foi pressionado a falar sobre o esquema de corrupção na estatal e irritou os parlamentares por dizer que desconhecia atos ilícitos na companhia.

Ouvido como testemunha, o executivo admitiu que o empreendimento custou 20% a mais do que o preço inicial. Ele explicou que dificuldades geológicas encontradas durante a execução dos 1.400 quilômetros de obras e a necessidade de cumprir prazos obrigou a estatal a fazer aditivos contratuais. Sua única ressalva foi em relação à diferença de 1.800% no valor pago por mantas geotérmicas, que custaram R$ 30 mil. 

O empreendimento custou R$ 6,340 bilhões de um fundo criado especificamente para projeto, sendo que pouco mais de R$ 1 bilhão veio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). "O valor total é compatível com as métricas internacionais", insistiu Repsold. 

O diretor, que ocupa o cargo há dois meses, disse que foi surpreendido com as denúncias de corrupção. "Nada me foi reportado ou relatado. Não há o que relatar aqui", repetia. Inconformados, os deputados o chamaram de "cara de pau". "Colocar um nariz de palhaço em todos aqui seria mais fácil", disse o deputado Delegado Waldir (PSDB-GO). "Não consegui entender o motivo da sua convocação aqui. Seu nome está aqui para ocupar espaço e para que a gente não ouça Fernando Soares, Alberto Youssef", sugeriu Jorge Solla (PT-BA). 

Vaccari - Apesar dos protestos dos petistas, o presidente da CPI, Hugo Motta (PMDB-PB), confirmou para esta quinta-feira, 9, o depoimento do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. "Lamento ver a CPI servir de objetivo para se potencializar ou não uma manifestação. A CPI não pode ser instrumento disso", reclamou Luiz Sérgio. 

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