À CPI, diretor da Abin defende sigilo de gastos da Presidência

Lacerda diz que 'prestação de contas não pode colocar em risco' presidente; ex-ministra será ouvida em seguida

Eugênia Lopes, de O Estado de S. Paulo,

09 de abril de 2008 | 11h24

O diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Lacerda, que foi diretor-geral da Polícia Federal na primeira gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reafirmou a posição do governo de que são sigilosos os gastos da Presidência da República. A afirmação foi feita em depoimento à CPI mista dos Cartões Corporativos. "As despesas da Presidência da República não podem se tornar vulneráveis por uma prestação de contas que pode colocar em risco o mais alto mandatário do país", afirmou Lacerda.  Veja também: ARQUIVO:  Secretária da Igualdade Racial é líder em gastos, revela Estado  Gastos com cartões já somam R$ 9 milhões em 2008Os ministros caídos  Entenda a crise dos cartões corporativos  Depois do diretor-geral da Abin irá depor a ex-ministra da Promoção da Igualdade Racial Matilde Ribeiro, pivô do escândalo dos cartões corporativos do governo. A crise começou em 13 de janeiro, quando o jornal O Estado de S. Paulo publicou reportagem, segundo a qual os gastos com cartão corporativo no governo Lula dobraram em 2007 com relação ao ano anterior. A edição trouxe Matilde Ribeiro como líder no ranking dos ministros que mais gastaram nos dois últimos anos.  Matilde Ribeiro, que pediu demissão do cargo, teria usado o cartão para fazer compras em free shops, aluguel de carros e restaurantes. No total, os gastos da ministra chegaram a R$ 171,5 mil, dos quais R$ 121,9 mil para locação de veículos, sempre pagos à mesma empresa. O valor é considerado um recorde na Esplanada dos Ministérios. Ainda nesta quarta, será ouvido o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Lacerda.  Em março deste ano, a Controladoria-Geral da União (CGU) decidiu que R$ 22.405,87 gastos pela ex-ministra não "foram suficientemente justificados". Do total, segundo a CGU, R$ 2.920,35 deveriam ter "devolução imediata". O valor refere-se a pagamento de horas extras aos motoristas dos veículos alugados por Matilde em viagens oficiais. Segundo a CGU, os gastos de ressarcimento imediato incluem aluguel com veículos em locais onde ela não estava e locação em horários superpostos. Ainda conforme a reportagem do Estado, Matilde gastou em 2007 R$ 171,5 mil com o cartão. Destes, R$ 127,7 mil correspondiam a aluguel de carros, quase sempre da mesma empresa, a Localiza. A auditoria da CGU também recomendou a devolução de R$ 745,80, referentes a despesas indevidas com alimentação: ela teria pago refeições de terceiros. Apontou ainda falhas formais, como comprovantes com "descrições genéricas", e documentação "incompleta e mal organizada". O gasto de R$ 461,16 em uma duty free de aeroporto internacional não foi detalhado ou qualificado pelos auditores da CGU.  

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