À CPI, Dantas acusa chefe da Abin de arquitetar Satiagraha

Paulo Lacerda teria pedido a operação em 'represália' a um relatório contra ele divulgado pelo banqueiro

da Redação

13 de agosto de 2008 | 18h11

O dono do banco Opportunity, Daniel Dantas, acusou nesta quarta-feira, 13, o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Lacerda,  de esquematizar a Operação Satiagraha para prejudicá-lo. Segundo o depoimento do banqueiro à CPI dos Grampos, Lacerda, que é ex-chefe da Polícia Federal, teria pedido a operação em "represália" à divulgação de um relatório contra ele de responsabilidade do banqueiro. Neste relatório, constariam supostas contas no exterior de Lacerda.  Veja Também:Protógenes disse que ia investigar filhos de Lula, diz Dantas'Não tenho menor dúvida de que fui grampeado', diz DantasEntenda como funcionava o esquema criminoso As prisões de Daniel DantasJuiz do caso Dantas nega ter autorizado grampo no STF Segundo a CBN, a assessoria do diretor da Abin disse que as acusações são "infundadas" e que Lacerda quer rebatê-las na CPI. Dantas disse ainda que descobriu a operação por uma jornalista, e que ela contou que Lacerda teria  encomendado a operação contra ele.     Dantas negou na CPI que tenha feito interceptação telefônica ilegal e que tenha contratado a empresa Kroll, na época da disputa pelo controle da Brasil Telecom. Ele disse que quem contratou a Kroll foi a Brasil Telecom e que o contrato com a empresa foi recomendado pelo Citibank. Segundo Dantas, quem fez escutas ilegais foi a Telecom Itália, que utilizou uma estrutura no Brasil para prejudicá-lo. A briga entre as empresas começou em 2000, com a disputa entre sócios da Brasil Telecom (BrT) - Grupo Opportunity e Telecom Itália (TI) - pelo controle da empresa.  Dantas foi preso duas vezes pela Polícia Federal no mês passado, ambas por causa do inquérito da Satiagraha. Ele conseguiu a liberdade graças a liminares concedidas pelo presidente do STF, Gilmar Mendes. As decisões geraram críticas de vários setores do Ministério Público, um embate com o juiz da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, Fausto Martins De Sanctis, que determinou as duas prisões, e um bate-boca com o ministro da Justiça, Tarso Genro.  

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