Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

À 'CNN', Temer nega que Brasil seja 'republiqueta' do golpe

Entrevista do vice-presidente à emissora americana ocorre depois de Dilma adotar a estratégia de procurar a imprensa internacional para denunciar possível 'golpe'

Gabriela Caesar, O Estado de S.Paulo

25 Abril 2016 | 19h31

O vice-presidente Michel Temer voltou a afirmar nesta segunda-feira, 25, que o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff "não é um golpe". A entrevista de Temer para a emissora americana CNN ocorre depois de Dilma adotar a estratégia de procurar a imprensa internacional para denunciar um possível "golpe".

"No exterior, causa a impressão de que o Brasil é uma 'Republiqueta', que é capaz de um golpe. É por isso que eu digo que não há um golpe nesse País, não há tentativa de violação do texto constitucional", disse Temer. A CNN destacou ainda o perfil discreto do vice-presidente, que não tem o hábito de conceder entrevistas a veículos de comunicação.

Questionado pela correspondente da CNN Shasta Darlington como um eventual governo Temer gostaria de ser lembrado na história, o vice-presidente voltou a falar em unificação nacional."O meu objetivo será, com o apoio das forças nacionais, um bom ministério que me assessore e me garanta governabilidade, como um governo que conseguiu recuperar a economia do País, colocar o País nos trilhos para uma tranquila eleição em 2018", acrescentou Temer.

 

Leia a entrevista traduzida:

CNN - A presidente Dilma Rousseff diz que o processo de impeachment contra ela é um golpe de Estado. Como você responder?

Michel Temer - Respeito muito as opiniões da presidente, mas acredito que o ponto de vista dela está equivocado. Primeiro, porque o rito do impeachment está previsto na Constituição. No exterior, causa a impressão de que o Brasil é uma 'Republiqueta', que é capaz de um golpe. É por isso que eu digo que não há um golpe nesse País, não há  nenhuma tentativa de violação do texto constitucional. 

CNN - A presidente também o acusou de ser um conspirador nesse golpe. Como o sr. se sente?  

Temer - 62% da população brasileira aprova o impeachment em curso, então, qual conspiração eu estou conduzindo? Teria eu poder suficiente para sensibilizar 367 seputados? Mais da metade da população brasileira? Acho que a presidente também está errada neste ponto.

CNN - A maioria da população apoia o impeachment de Dilma Rousseff, mas também apoia o seu afastamento.Eles preferem eleições. Nesse contexto, como o sr. irá governar e unir o País?

Temer -  Em primeiro lugar quero ganhar a confiança do povo brasileiro e de todos os setores da sociedade. Segundo, estou ciente de que, quando, e se, eu me tornar presidente da República, posso eventualmente sofrer um processo por responsabilziação política. O que há neste momento é uma campanha para desqualificar o vice-presidente tanto que, embora não previsto na Constituição, tem se proposto o impeachment do vice-presidente da República. Isso não existe no texto contitucional. 

CNN - O Brasil está passando por uma série de desafios sem precedentes: a crise política, a recessão, a epidemia de zika. Tudo isso na véspera de sediar a Olimpíada. O sr. acha que os Jogos serão prejudicados?

Temer - Não creio. A Olimpíada está sendo muito bem organizada em uma conugação entre os governos estadual e municipal do Rio de Janeiro e com a participação do governo federal. tenho absoluta convicção de que a Olimpíada será um sucesso como foi em outras partes do mundo. O problema da zika, preocupa, mas que está começando a ser superado. Não acredito que isso vá influenciar aqueles que venham, sejam atletas ou turistas.

CNN: Se o Senado decidir pelo afastamento de Dilma e o sr. Se torne presidente, como o governo Temer será lembrado? Como ficará marcado na história?

Temer - A minha tese é da pacificação nacional. Tanto que em várias oportunidades cheguei a propor  uma espécie de governo salvação nacional, que seria exatamente a união de todos os partidos, inclusive os de oposição. Acredito que essa seja a única maneira de tirar o País da crise. O meu objetivo será, com o apoio das forças nacionais, um bom ministério que me assessore e me garanta governabilidade ,como um governo que conseguiu recuperar a economia do País, colocar o País nos trilhos para uma tranquila eleição em 2018.

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