''A batata quente está no colo do senador Álvaro Dias''

O deputado Paulo Teixeira (PT-SP), da tropa de choque do governo na CPI dos Cartões, é taxativo ao cobrar explicações do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) sobre o vazamento de dados do governo Fernando Henrique. "A resolução desse assunto, a elucidação desse fato, está na mão do senador", assevera o petista, frisando que o problema não é manejar, mas divulgar dados secretos. "Foi cometido um crime: o vazamento. E a pessoa que tem toda condição de elucidar esse crime é o senador. Ele tentou levar esse assunto para a Casa Civil, mas a batata quente está no colo dele." Eis a entrevista:Com base nas informações de que que o senador Álvaro Dias teve acesso aos gastos da gestão FHC, o sr. acha que ele deveria ser convocado pela CPI para se explicar?Olha, eu acho que ele deve explicações. Deve todas as explicações. A resolução desse assunto, a elucidação desse fato, está nas mãos do senador Álvaro Dias. Então, estamos aguardando que ele nos ajude a elucidar quem quebrou o sigilo.Isso passa por uma eventual convocação pela comissão?Estamos analisando como é que pode ser feito. Não há ainda de nossa parte nenhuma opinião conclusiva. Agora, nós achamos que ele é hoje a principal pessoa a elucidar esse fato.O senador tucano declarou que não foi o responsável pelo vazamento, que apenas viu o dossiê. Ele tem de responder, porque todo dia os fatos conduzem a fato do conhecimento dele. Ele tinha amplo conhecimento.A discussão sobre o vazamento dos dados tomou o Congresso. E a questão da elaboração do dossiê, como fica? A questão de quem reuniu os dados está sendo deixada de lado?O crime cometido foi o de vazamento. É um banco de dados de documentos sigilosos. Foi cometido um crime: o vazamento. E a pessoa hoje que tem toda condição de elucidar esse crime é o senador Álvaro Dias. Ele tentou levar esse assunto para a Casa Civil, mas a batata quente está no colo dele.O que esperar das mais de 3 mil caixas de papéis e documentos que o governo promete entregar à CPI?Uma parte dos papéis já chegou. Tem de ser feita uma auditoria nas contas desses dez anos, de 1998 a 2008. Só uma auditoria pode dizer.Como pode ser avaliada a participação da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) e sua secretária-executiva, Erenice Alves Guerra, na coleta desses dados que vieram à tona?Ela assumiu desde a primeira hora que havia um banco de dados. E era público. Portanto, ela nunca escondeu que havia um banco de dados, que é o Suprim. Não tinha o que esconder. O problema não é manejar documentos secretos - isso o governo, a Câmara, manejam diariamente. O problema é vazar.

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