'A Bahia deve muito a ACM, mesmo os adversários dele', diz FHC

Em entrevista à CBN, ex-presidente lamenta morte e lembra situações que viveu com o senador

20 de julho de 2007 | 16h18

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso lamentou a morte do senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA) em entrevista à rádio CBN, nesta sexta-feira, 20. ACM foi um dos principais responsáveis pela concretização da aliança PSDB-PFL (rebatizado de DEM), que ajudou a eleger FHC nas duas vezes em que governou o País. A divergência também marcou a relação entre os dois.   Veja também:    Leia a íntegra do último discurso de ACM no Senado Morre o senador Antonio Carlos Magalhães No vídeo mais acessado no YouTube, ACM defende ditadura Frases do senador Site oficial do senador Galeria de Fotos  ACM visita o Estado de S. Paulo  Mais imagens do senador baiano     "Enquanto o Luís Eduardo esteve vivo foi mais fácil porque ele fazia pontes e moderava alguns pontos do senador. O Antonio Carlos foi um homem com personalidade muito forte e que definia com rapidez o lado de cá e o lado de lá e mudava também de lado. Mas sempre foi uma pessoa com características importantes: amor à Bahia e eficiência", afirmou.   O senador indicou nomes na composição do governo tucano e brigou com FHC quando seus indicados foram demitidos: os ministros Waldeck Ornélas (Previdência Social) e Rodolpho Tourinho (Minas e Energias). "Uma hora que nós brigamos eu tive que demitir dois ministros que ele havia indicado, mas pessoas de nível. Ele sempre teve preocupação com a qualidade. Na Bahia também. A Bahia deve muito a ACM, mesmo os adversários dele, que não são poucos na Bahia, têm que reconhecer que ele modernizou a Bahia", contou.   FHC também falou sobre a visita que fez à ACM há dez dias: "Ele já estava quebrado, ele lutou o que pode. Lutou em vida, lutou contra a morte até o final. Lutou para viver bastante. Teve como todo homem político altos e baixos, talvez no ponto de vista humano, a tragédia maior tenha sido a morte do Luís Eduardo".   Sobre a relação com ACM, FHC reconheceu no senador um adversário poderoso: "Tivemos relações muito próximas num certo momento, depois difíceis, e agora, depois que eu deixei o governo, ele foi muito afetivo comigo o tempo todo".   Indagado se ACM era um liberal, FHC respondeu: "Não, não. Não era liberal. Pouca gente no Brasil tem posição liberal. Luís Eduardo, sim. Agora, nossos políticos são tradicionais, eles gostam de ficar próximos do governo, qualquer governo. Eles gostam de obter vantagens do governo."

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