A arte da política é ardil e mentirosa, diz João Paulo

O presidente da Câmara, João Paulo Cunha, demonstrou há pouco ressentimento com a política, em discurso feito na inauguração da exposição do artista plástico Athos Bulcão, na Casa. João Paulo fez um paralelo entre a arte e a arte da política, afirmando que a idéia de transformar o gabinete da presidência em galeria de arte era colocar mais "alma" em um terreno árido. Segundo ele, no campo da política a arte nem sempre deve ser inspiradora de alguém, nem objeto de defesa. "A arte da política às vezes é ardil. Ela é mentirosa. Ela faz muito jogo. As pessoas tentam utilizar umas às outras. Então, a política e a arte das pessoas que querem fazer (política) com base nisso, nem sempre é uma boa companhia", disse o presidente da Câmara. "Para que a gente possa efetivamente ter um pouco mais de humanidade, um pouco mais de alma e espírito, um pouco mais de sentimento nas nossas relações é importante a gente conviver diariamente com artistas", acrescentou. Em entrevista, questionado se o discurso se referia a alguma mágoa com relação a emenda que permite a reeleição à presidência da Câmara, João Paulo não respondeu. Ele disse que essa referência que fez no discurso é um apenas um "diagnóstico" de quem vive cotidianamente a política. "Mudam os personagens, mas o conceito do valor das pessoas que utilizam essa forma de política é permanente", disse. A comissão especial da Câmara já aprovou a proposta de emenda contitucional que prevê a reeleição dos presidentes da Câmara e do Senado e está pronta para ser votada no plenário. Segundo João Paulo, os líderes é que vão decidir quando a emenda deve ser colocada em pauta.

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