Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Análise: A ambição presidencial de Eduardo Cunha

Se havia dúvidas de que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tem ambições presidenciais, ela é dissipada na entrevista exclusiva ao Estado publicada na edição deste domingo, 14. A clareza com que fala sobre o projeto do PMDB para as eleições de 2016  - o momento certo, segundo ele, para o "desembarque" do governo -  e para a de 2018 -  em que PMDB disputará obrigatoriamente contra o PT a sucessão presidencial - não deixa dúvida de que o jogo passará por ele.

Caio Junqueira, O Estado de S. Paulo

13 de junho de 2015 | 15h56

Sua fala deflagra uma espécie de "Cunha 2.0". Até então, sua atuação visava criar as condições para o enfraquecimento do governo. A partir de agora, seu objetivo é utilizar o enfraquecimento que ele mesmo ajuda a criar para buscar as condições do desembarque e consequente abertura no PMDB dos debates sobre o candidato em 2018.

 

Cunha fala em Eduardo Paes, mas sorri quando os repórteres o questionam se essa defesa pelo prefeito do Rio não se trata de uma estratégia comum na política de "queimar" um nome ao lançá-lo com muita antecedência da disputa. Ora, se Cunha deseja de fato Paes à frente do processo deveria trabalhar para que o candidato do prefeito, o secretário de Coordenação de Governo da Prefeitura do Rio, Pedro Paulo, seja o candidato em 2016. Ao contrário disso, Cunha atua para que o líder do PMDB, Leonardo Picciani, seja o escolhido.  

 

Em outra postura também comum na política,  não atribuir para si próprio movimentos favoráveis às suas recandidaturas, Cunha deixa rolar na Câmara movimento favorável à mudança constitucional que possibilitaria que ele possa ser candidato à reeleição em 2017. Em uma Casa que, sob sua condução, a marca tem sido o fortalecimento do Legislativo, é improvável que o PT consiga número para barrá-lo. 

Com mais dois anos de exposição garantidos, estariam fartos os acenos ao eleitorado e à classe política. Algo que já ocorre por ora. A revisão do pacto federativo, detalhadamente elaborada com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tem claro intuito de agregar apoio de dois dos principais cabos eleitorais em uma eleição presidencial: prefeitos e governadores. A pauta antipetista visa cativar um setor do eleitorado que ganha força, mas se vê órfão ante uma oposição em crise de identidade. Tudo isso aliado a uma intensa programação de viagens pelo País que, intitulada "Câmara itinerante", acaba por lhe dar proximidade com eleitorado nos Estados e contato com lideranças políticas regionais. 

 

O plano, bem elaborado, é esse. O problema é que seu sucesso depende mais do seu advogado e dos ministros do Supremo Tribunal Federal do que dos seus correligionários e eleitorado. Cunha é investigado na Operação Lava Jato e a guerra aberta com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pode complicá-lo.  Ele pode até não ser julgado a tempo de inviabilizar sua candidatura, mas partir para a disputa na condição de réu em um escândalo do porte da Lava Jato pode desmanchar seu projeto tão rapidamente quanto uma oração no plenário da Câmara. 

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