850 milhões de pessoas passam fome, diz a ONU

Apesar dos esforços internacionais para reduzir a pobreza, a fome cresce no mundo, depois de ter diminuído durante a segunda metade da década de 90. Cerca de 850 milhões de pessoas passam fome ? a maioria delas na África e na Ásia. O número de desnutridos nos países em desenvolvimento cresce à razão de quase 5 milhões de pessoas por ano. Os dados são do relatório anual da FAO, a agência das Nações Unidas voltada para a agricultura e a alimentação, que está sendo divulgado hoje. O relatório, ?O Estado da Insegurança Alimentar no Mundo?, pinta um quadro desolador. Há, no entanto, algumas boas notícias no relatório: 19 países conseguiram reduzir o número de famintos desde 1990-1992. Um total de 80 milhões de pessoas saiu da faixa dos desnutridos nesses países ? entre os quais o Brasil. ?Essa lista inclui? ? diz o relatório ? ?países grandes e relativamente prósperos, como o Brasil e a China, onde o nível de subnutrição já era moderado, e também países menores, onde a fome era maior, como o Chade, a Namíbia, Sri Lanka e a Guiné?. Bangladesh, Haití e Moçambique estão entre os 22 países que conseguiram ?reverter a maré de fome?na segunda metade dos anos 90.O relatório cita entre os sinais positivos a promessa do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva de erradicar a fome antes do fim de seu mandato, daqui a pouco mais de três anos.Apesar disso, o levantamento da FAO indica um retrocesso na luta contra a fome nos cálculos mais recentes - feitos entre 1999 e 2000 -, o que torna cada vez mais remoto o objetivo da ONU de reduzir pela metade o número de desnutridos no mundo até 2015, diz o diretor geral adjunto da FAO, Hartwig de Haen. ?É preciso acelarar as reduções anuais a 26 milhões, mais de 12 vezes a taxa de 2,1 milhões alcançada durante os anos 90?, explicou. Falta vontade políticaA FAO afirmou que ?é hora de os países descobrirem porque milhões de pessoas passam fome em um mundo que produz alimentos mais do que suficientes para cada homem, mulher e criança?. ?Para sermos claros, o problema não é tanto da falta de alimentos, mas de falta de vontade política?, explicou a agência. Segundo a FAO, salvo quando a guerra e os desastres naturais atingem os países em desenvolvimento, ?se fala pouco e se faz menos ainda? para se aliviar o sofrimento de 798 milhões de pessoas que padecem de fome crônica nesses países. Esta cifra é superior à toda população da América Latina e da África, informou a FAO. A estes números ainda se somam 11 milhões de famintos nos países desenvolvidos e 34 milhões nas nações em transição.A reunião sobre a fome realizada pela ONU em 1996 adotou a meta de reduzir o número de desnutridos pela metade até 2015. A reunião do Milênio, em setembro de 2000, colocou este objetivo no topo das prioridades globais. O número de famintos, que caiu 37 milhões na primeira metade dos anos 90, aumentou mais de 18 milhões, à razão de 4,5 milhões por ano, entre 1995 e 2001, no mundo em desenvolvimento.

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