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85% dos médicos não têm restrição a genéricos, diz pesquisa

O consumidor brasileiro de medicamentos é refém de práticas ilegais. Para combatê-las, são necessárias ações conjuntas das iniciativas pública e privada, afirma a Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (Pró Genéricos). A entidade revelou hoje, parcialmente, a primeira pesquisa sobre o mercado de medicamentos em geral e de genéricos em específico feita no País, encomendada ao instituto Ipsos Opinion. A pesquisa foi realizada em outubro do ano passado com 1250 pessoas da área médica, das farmácias e do público consumidor.Dos 150 médicos consultados, 85% disseram não ter restrição à indicação do medicamento genérico aos pacientes. Dos 15% que não costumam indicar esse tipo de droga, 23% nunca o fazem, 64% prescrevem de vez em quando e 14% muito raramente.Similares versus genéricosEntre os 250 balconistas de farmácias independentes de redes, que representam 78,47% das vendas de medicamentos no País, constatou-se que 34% dos entrevistados oferecem medicamentos diferentes dos prescritos pelos médicos. A maior parte dessas indicações feitas pelos balconistas são de similares. Nesse caso, a crítica da diretora executiva da Pró Genéricos, Vera Valente, é de que os similares só podem ser vendidos sob prescrição médica.Os genéricos, ao contrário, por terem obrigatoriamente testes de bioequivalência e biodisponibilidade, podem ser indicados pelos balconistas sem que haja prescrição médica.Por isso, a pesquisa será encaminhada à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para que o Ministério da Saúde tome as devidas providências. A intenção da Pró Genéricos é engendrar ações em conjunto com a Anvisa, para o esclarecimento do público em geral sobre a diferenciação entre medicamentos de referência, aqueles pesquisados e desenvolvidos pela indústria farmacêutica; os genéricos, que são cópias deles; e os similares, que não são obrigados a ter semelhança com qualquer um dos dois anteriores."A partir da campanha de esclarecimento, a Anvisa ampliará o número de fiscais das ações dos balconistas nas farmácias. Com o número reduzido de fiscais oficiais, o órgão público não tem condições de saber o que se passa nas cerca de 56 mil farmácias existentes no País", assinalou Vera.MarketingA pesquisa encomendada ao Ipsos Opinion servirá como parâmetro para que a Pró Genéricos planeje suas ações de marketing ao longo deste ano. Vera não revelou qual será a verba de marketing para 2004. No ano passado, o investimento foi inferior a R$ 4 milhões, grande parte aplicado em campanhas televisivas e radiofônicas. "Este ano, investiremos mais em ações cujos custos são menores e com maior eficiência em relação à informação ao público", sublinhou a executiva.A Pró Genéricos reúne 11 laboratórios desse segmento farmacêutico, que representam 90% do mercado de genéricos em valor e 9% da receita farmacêutica total, o que inclui drogas de referência, similares, genéricos e medicamentos de venda livre.

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