Filipe Araujo/Estadão
Filipe Araujo/Estadão

71% dos brasileiros se informarão sobre a eleição de 2018 por fontes tradicionais, diz pesquisa

De acordo com o levantamento da CNI/Ibope, índice de nulos, brancos e indecisos é o maior das últimas cinco eleições

O Estado de S.Paulo

02 Agosto 2018 | 14h34
Atualizado 03 Agosto 2018 | 13h15

Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria  (CNI) sobre o perfil do eleitorado nas eleições de 2018  indica que os 71% brasileiros pretendem se informar por fontes tradicionais de notícias (televisão, rádio e jornais e revistas impressas). Quando considerados sites de veículos tradicionais, esse número sobe para 84%.  Redes sociais e blogs são utilizados como fonte de informação sobre os candidatos por 26% dos eleitores, mas apenas 5% utilizam as redes como fontes exclusivas.

O levantamento destrincha dados colhidos no final de junho e cruza o perfil socioeconômico dos entrevistados com sua preferência eleitoral.  

Segundo a pesquisa, dos eleitores que disseram no final de junho estar  dispostos a votar no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 54% estão no Nordeste. Ao menos 40% vivem em cidades com até 50 mil habitantes e a preferência pelo petista aumenta conforme cai a escolaridade e renda familiar do entrevistado. 

Dos eleitores com curso superior, 24% vão votar em Jair Bolsonaro, do PSL. Entre os com menor escolaridade - até a quarta série do Ensino Fundamental - esse número cai para 9%. Entre famílias com a renda mais elevada da pesquisa - acima de 5 salários mínimos - 31% vão votar nele.

O tucano Geraldo Alckmin (PSDB) encontra dificuldades entre os eleitores mais jovens. Entre os entrevistados com idade entre 16 e 24 anos, 3% optam pelo ex-governador como candidato, enquanto nas outras faixas etárias a intenção de voto fica entre 6% e 7%.

Marina Silva (Rede) apresenta um bom desempenho entre as mulheres, segundo a CNI/Ibope. De cada 100 mulheres, 15 pretendem votar nela. 

Ciro Gomes, do PDT, conta com a preferência dos eleitores com 55 anos ou mais, onde atinge 11% da preferência. Tanto o pedetista quanto Marina tem bom desempenho no Nordeste nos cenários sem Lula. 

Número de indecisos é o maior em 20 anos

A alta insatisfação com a corrupção e o descrédito com a classe política fazem com que a parcela dos eleitores com intenção de votar em branco ou nulo e a de indecisos seja a mais alta das últimas cinco eleições. Questionados de forma espontânea sobre o candidato que vai ganhar seu voto - sem apresentar uma lista de candidatos - 31% dos entrevistados disseram que vão votar em branco e 28% não souberam ou não quiseram responder à pergunta, o que indica indecisão. 

"O eleitor não encontrou aquele candidato que ele sonha. A decisão vai acontecer muito mais próxima da eleição que nas eleições anteriores. A gente percebe que a maioria dos eleitores não conhece os candidatos e suas propostas. Até entre os que já escolheram candidatos, ainda há alguma indecisão", afirma o gerente-executivo de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca. 

O levantamento ouviu 2 mil pessoas entre os dias 21 e 24 de junho, em todo o país, e detalha informações por perfil do eleitor da pesquisa de intenção de votos divulgada em 28 de junho. Na ocasião, o ex-presidente liderava com 33% das intenções de voto, seguido por Bolsonaro (15%) e Marina Silva (7%). Sem Lula, os melhores colocados eram Bolsonaro (17%), Marina (13%), Ciro (8%) e Alckmin (6%).

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