70 famílias de sem-terra são despejadas em MS

Depois de 10 anos de ocupação, aconteceu nesta segunda-feira o despejo das 70 famílias de sem-terra da Fazenda Serra Brava, situada no município de Rio Negro, ao norte de Mato Grosso do Sul e a 158 quilômetros de Campo Grande. Não houve resistência dos invasores, que logo após a desocupação armaram acampamento em frente da propriedade rural, aguardando um novo assentamento. Eles deixaram para trás toda estrutura onde criavam gado leiteiro, aves além de plantações de milho e mandioca. O local foi ocupado pelos sem-terra a revelia do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Segundo dirigentes da CUT Rural, o imóvel foi alvo de pesquisas nos cartórios da região, constatando não ter mais herdeiros. Surgiu uma herdeira residente na capital paulista, que vendeu a área e o novo proprietário conseguiu a reintegração de posse.Tensão Em Nova Andradina, região leste do MS, e a 370 quilômetros da capital, ainda persiste a ordem de despejo com força policial, contra 1.060 famílias de ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais sem-terra (MST). Elas estão acomodadas na Fazenda Teijin há três meses, sob intensa disputa judicial, entre o Grupo de Desenvolvimento Agrário Teijin e o Incra. Um dos dois é o proprietário da fazenda, mas somente o Poder Judiciário vai decidir qual deles ficará com o imóvel que possui 28.500 hectares de área. A disputa começou em 2002 quando a propriedade rural foi desapropriada por decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Desde então, está ocorrendo uma batalha de liminares contra e a favor das duas partes.A questão está atualmente com a Procuradoria Geral da União, depois de passar pelo Tribunal Regional Federal, Superior Tribunal de Justiça e chegar no Supremo Tribunal Federal (STF) que encaminhou o processo à Procuradoria. Segundo o chefe da procuradoria regional do Incra, Antonio Augusto de Barros, o procedimento adotado pela ministra Ellen Gracie pede o parecer da Procuradoria sobre o caso, antes de qualquer decisão. Os sem-terra prometem soltar uma boiada de quase 10 mil cabeças na BR-267 e destruir as benfeitorias da fazenda, caso o despejo aconteça.

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