7 de setembro terá comemorações militares e Grito dos Excluídos

O 7 de Setembro será marcado por comemorações militares e protestos dos movimentos sociais em diversos pontos do País. Enquanto o Comando Militar do Planalto (CMP) prepara o 1º desfile do século XXI cheio de novidades, a CUT, a CNBB, o MST e os servidores públicos federais, em greve desde o dia 22, vão promover o Grito dos Excluídos, com atos públicos, passeatas e manifestações em centenas de cidades brasileiras.A concentração para o Grito vai acontecer em frente à Catedral, em Brasília, a partir das 9 horas da manhã. Um dos coordenadores nacionais do MST, João Paulo Rodrigues, aposta que este será o maior Grito desde que o protesto foi criado, em 1994. "Nunca houve tantos excluídos no Brasil", acredita. Os sem-terra que estão acampados em frente ao Ginásio Nilson Nelson vão se unir aos servidores públicos federais, que reivindicam 75,48% de reajuste salarial.O secretário de organização da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Seguridade Social (CNTSS), Vladimir Nepomuceno, acredita ser possível reunir entre três e cinco mil servidores na Esplanada. O fato do feriado cair em uma sexta-feira pode atrapalhar os planos. "Muitos vão preferir passar o feriado em casa", disse.O presidente da CUT, João Felício, diz que o Grito pode assumir contornos de protestos regionais. "No Nordeste, por exemplo, os principais temas serão o combate à fome e à seca." Felício lembra que das 62 milhões de pessoas economicamente ativas 40 milhões recebem menos de US$ 1 por dia, o que não chega a R$ 80 por mês. "Esse não é um discurso oposicionista, são dados estatísticos, que precisam ser revertidos", disse.Do outro lado de Brasília, no Setor Militar Urbano, também marcado para as 9 horas, o Comando Militar do Planalto prepara uma comemoração da Independência. No início do desfile, após a chegada do presidente Fernando Henrique, a cantora lírica Janette Dornellas, da Escola de Música de Brasília, vai cantar o Hino da Independência. Ao mesmo tempo, 11 pára-quedistas estarão fazendo um salto.Tem início, então, o desfile do grupamento escolar, que conta com dois estreantes. Pela primeira vez, estarão desfilando as bandas de música do Colégio Marista e da Escola Industrial de Taguatinga, que dividirão a cena com o Colégio Militar de Brasília, o Colégio Militar Dom Pedro II, do Corpo de Bombeiros, e as escolas militares. O desfile prossegue com os grupamentos da Marinha, da Aeronáutica e do Exército.Abrindo a parte motorizada, uma atração ausente há quase dez anos: a pirâmide humana, com 24 pessoas da Polícia do Exército apoiadas sobre uma motocicleta. Enquanto as motos e os blindados desfilam, caças F103 Mirage, AMX, C-115 Búfalos e Skyhawk, da Marinha, próprios para pouso em porta-aviões, cruzarão os céus de Brasília. O desfile termina com as tropas que utilizam cavalos e mais uma inovação: uma carruagem, doada pela Embaixada da Suíça, com alunos do Colégio Militar trajando roupas do início do século passado.Para evitar protestos contra o presidente Fernando Henrique Cardoso, o governo do Distrito Federal convocou os servidores que ocupam cargos comissionados para prestigiar o desfile e demonstrar apoio ao governo federal. O governador Joaquim Roriz prometeu ainda dar lanche grátis para a população carente que for ao Setor Militar Urbano assistir ao desfile de 7 de setembro.

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