7,7% vivem em estado de insegurança alimentar grave

Cerca de 14 milhões de brasileiros, 7,7% da população total, vivem em domicílios caracterizados por um "estado de insegurança alimentar grave", o que significa dizer que convivem com o fantasma da fome "quase todos os dias", "alguns dias" ou "um ou dois dias" por mês. São pessoas que não têm acesso a alimentos em quantidade ou qualidade adequadas e que temem sofrer restrições ainda maiores no futuro.Os Estados do Norte e do Nordeste lideram a trágica estatística, com mais da metade da população vivendo em um ambiente onde a quantidade de alimentos disponível para a família é insuficiente para garantir a sobrevivência em condições dignas. O Maranhão, com 18% dos domicílios em situação de "insegurança alimentar grave", lidera o ranking da fome, seguido de perto por Roraima (15,8%) e Paraíba (15,1%).Em situação mais confortável aparecem os Estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, com a proporção de domicílios com alto déficit de alimentos variando entre 2% em Santa Catarina e 5% no Mato Grosso do Sul. Por Estados, São Paulo, com 3,4%, Paraná e Rio de Janeiro, ambos com 3,7%, apresentam a menor proporção de domicílios em estágio de insegurança alimentar grave.EbiaA pesquisa foi feita pelo IBGE, com apoio do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e, pela primeira vez, utiliza em escala nacional a chamada Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia), uma metodologia que permite identificar famílias em diferentes níveis de risco alimentar.Segundo a Ebia, 72 milhões de brasileiros (cerca de 40% da população total) vivem em domicílios em condições de insegurança alimentar leve, moderada ou grave. Nos dois últimos níveis estão cerca de 40 milhões de pessoas que enfrentavam, à época da pesquisa, limitação de acesso quantitativo aos alimentos, embora nem todos em situação de fome.O grau de insegurança alimentar varia não apenas em relação à distribuição geográfica das famílias, mas também em função da faixa etária dos seus integrantes. Neste aspecto, a situação se revela mais grave para as crianças com até 4 anos de idade, com uma em cada 10 crianças convivendo em um ambiente de insegurança alimentar grave, índice duas vezes maior para aqueles com mais de 65 anos.Os números do IBGE revelam ainda que 17% das crianças com até 5 anos, residentes nas regiões Norte e Nordeste vivem em condições de insegurança alimentar grave, ante 5,3 nas regiões Sul e Sudeste e 5,7% nos Estados do Centro-Oeste.A metodologia utilizada pelo IBGE considera em situação de segurança alimentar pessoas ou famílias que não sofrem restrições na quantidade ou na qualidade dos alimentos e não temem qualquer mudança deste cenário.Por outro lado, a insegurança alimentar é percebida em níveis que variam desde a preocupação de que o alimento acabe antes que haja dinheiro para a reposição até chegar ao ponto mais grave, em que a família passa a sofrer restrição na disponibilidade de alimentos.Questionário Para elaborar a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar, o IBGE usou dados recolhidos pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, realizada no último trimestre de 2004, e um questionário com 15 perguntas que procuram definir estágio de segurança ou insegurança alimentar no domicílio pesquisado.Cada conjunto de perguntas recebe uma pontuação. Se as quatro primeiras tiverem resposta negativa fica caracterizado para os técnicos do IBGE uma situação de total segurança alimentar. Já a insegurança grave (fome) é identificada com um mínimo de 11 respostas afirmativas.

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