40 milhões de brasileiros ganham até R$ 300/mês

Metade da população com renda no País, cerca de 39,5 milhões de brasileiros, recebia, no máximo, R$ 300 por mês em 2000, segundo revelou o Censo. Em valores atualizados isto representaria hoje R$ 377, ou seja, menos de dois salários mínimos. O levantamento, mais um a confirmar a desigualdade na distribuição de renda no Brasil, trouxe a inovação de pesquisar todas as pessoas acima de 10 anos com algum tipo de ganho e, também, de incluir qualquer tipo de renda (salário, aposentadoria, pensão, rendimento com aluguéis etc). Até então, o censo captava apenas o ganho dos chefes de família.Os dados segmentados por município mostraram que, quanto menor o porte da cidade, mais baixa a linha mediana dos rendimentos (faixa que divide ao meio a quantidade de pessoas pesquisadas). Nos menores municípios, com até 20 mil habitantes, a renda de metade da população caía para até R$ 160. Pelos dados da pesquisa, somente para 2,2 milhões, das 79,1 milhões de pessoas com rendimento em todo o País, o ganho mensal ultrapassava 20 salários mínimos, uma proporção de 2,8% do total.Vandeli Santos Guerra, técnica do Departamento de Emprego e Renda do IBGE, disse que não há como comparar os dados do Censo 2000 com os de 1991, porque os conceitos de atividade e renda oriunda do trabalho foram modificados ao longo desse tempo. Ela argumentou que a estrutura econômica dos municípios explica a diferença em relação aos rendimentos, já que nas cidades de pequeno porte quase metade da população está concentrada em atividades como agricultura, pecuária e pesca, que tradicionalmente têm remuneração baixa e raramente adotam o sistema de registro de trabalho em carteira.Ela lembrou que, de acordo com o acompanhamento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), a décaca foi marcada pela crescente participação da mulher no mercado de trabalho, embora ainda com disparidade no rendimento em relação à população masculina. Esta fica explicitada nos dados do censo: em 2000, o rendimento mediano era de R$ 320 para os homens e, entre as mulheres, de R$ 230. Já a renda média ? calculada arimeticamente, com o total de rendimentos dividido pelo total da população ? era de R$ 638, sendo R$ 749 para homens e R$ 488 para mulheres.A participação feminina na população ocupada cresce à medida em que aumenta o porte do município, enquanto com os homens ocorre o contrário. No País, 61,1% dos homens têm ocupação, enquanto entre as mulheres este porcentual era de 35,4%. Nos municípios pequenos, com até 20 mil habitantes, 64,3% dos homens têm ocupação, enquanto naqueles com mais de 500 mil, a parcela masculina ocupada era de 59,1%.?As mulheres fazem o caminho inverso, talvez porque nos municípios maiores o nível de instrução das mulheres seja maior?, diz Vandeli. Nos municípios menores a participação feminina na população ocupada é de 32,6%, enquanto nos maiores esta taxa sobe para 38,6%.

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