40 anos do caso Watergate

Escândalo de corrupção culminou na renúncia do presidente americano Richard Nixon; na foto abaixo, capa do 'New York Times'

Gustavo Chacra, O Estado de S. Paulo

17 Junho 2012 | 11h37

Depois de Watergate, poucos previam que os republicanos conseguiriam voltar tão cedo ao poder em Washington, ficando fora da Casa Branca apenas no hiato de quatro anos de governo do democrata Jimmy Carter. Foram três mandatos consecutivos entre 1981 e 1993 de administração do Grand Old Party (GOP), como o Partido Republicano é conhecido nos EUA.

Em grande parte, este retorno se deveu a uma ampla coalizão demográfica atraída para o Partido Republicano justamente por Nixon. O ex-presidente pode ter deixado o seu passado manchado com Watergate. Mas seu legado é observado até hoje nas eleições presidenciais quando os Estados do sul votam quase sempre nos candidatos republicanos.

Até os anos 1960, os sulistas optavam pelos democratas, não pelos republicanos. Questões econômicas pesavam mais na hora de votar. Mas Nixon adotou o discurso conservador em temas sociais em uma época de ebulição da sociedade americana.

Mas o Partido Republicano mudaria mais uma vez na última década e especialmente depois da derrota de John McCain para Barack Obama. Algumas das iniciativas de Nixon dificilmente seriam aceitas pelo Tea Party, como é denominada a ala mais conservadora dos republicanos.

O ex-presidente esteve na vanguarda da luta da defesa do meio ambiente, ao criar a Agência de Proteção Ambiental (EPA). Uma heresia para alguns pré-candidatos republicanos, que chegaram a pregar nas primárias deste ano a eliminação deste órgão.

Nixon também lançou a "guerra contra o câncer", abraçada por toda a comunidade internacional na década seguinte e resultando em uma série de avanços no tratamento da doença.

Na área de política externa, Nixon era um realista, algo em extinção hoje entre os republicanos e, de uma certa forma, também no Partido Democrata. Encerrou uma guerra perdida no Vietnã e se aproximou da China. Em vez de ameaças, buscou o diálogo, usando Henry Kissinger como o seu homem na política internacional.

Apesar de todas estas conquistas, que o ajudaram a se reeleger presidente em 1972, Nixon sempre será lembrado de Miami a Seattle por sua renúncia depois do escândalo de Watergate. Mas este líder americano tem uma história muito além do maior escândalo da história da Casa Branca.

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