35 empresas receberão tecnologia do Rafale

Embraer ainda venderá de 10 a 15 cargueiros a US$ 80 milhões cada

Roberto Godoy, O Estadao de S.Paulo

09 de setembro de 2009 | 00h00

A transferência de tecnologias prevista na compra dos 36 jatos Rafale, franceses, já tem 35 empresas brasileiras no programa de cooperação. Além das corporações privadas, também participarão do processo o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e o Comando Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA), as agências públicas destinadas a receber o conhecimento negociado no acordo bilateral anunciado há dois dias, em Brasília, pelos presidentes Nicolas Sarkozy, da França, e Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil.

O entendimento encerrou os procedimentos da escolha F-X2, destinada a selecionar um novo caça avançado, de múltiplo emprego, para a Força Aérea. Concorreram com o Rafale, o Gripen, sueco, e o F-18 E/F, americano. A condição primária da oferta, de acordo com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, é "a ilimitada abertura de tecnologia". O contrato pode chegar a 4 bilhões. Será assinado em 2010.

A Embraer é a empresa beneficiada diretamente pelos efeitos do compromisso, que cobre peças, componentes, o sistema de armas e treinamento de pessoal. Segundo o diretor da Rafale International no Brasil, Jean Merialdo, "há vários projetos acessórios que tratam de atividades de duplo uso resultando produtos de interesse próprio da indústria brasileira".

Os documentos abordam especificamente pontos sensíveis como o uso de nanotecnologias, engenharia stealth, de baixa detectibilidade, e de redes de operação de aviões não-tripulados, empregados no Rafale para reduzir a carga de trabalho durante missões de combate.

PROJETO

Sarkozy anunciou a aquisição de 10 a 15 dos cargueiros KC-390, da Embraer. O preço unitário é de US$ 80 milhões. As aeronaves ainda estão na fase de projeto e concorrem diretamente com um produto francês, o A400M, da Airbus. Em Paris, há um movimento no Parlamento para que as 50 encomendas atuais sejam expandidas para 65 em 2010.

O programa do KC-390 está exigindo aporte inicial entre R$ 50 milhões e R$ 60 milhões, valor equivalente a 5% dos investimentos. A participação da Aeronáutica foi anunciada em abril. O comando incluiu o jato no seu plano de longo prazo, que fixa metas até 2023.

Os primeiros estudos consideram a encomenda de 22 a 30 aeronaves com entregas a partir de 2015. O valor do pacote é estimado em US$ 1,3 bilhão. A compra do governo francês significa aporte de US$ 1,2 bilhão - além de uma importante primeira encomenda externa. O programa vai exigir de US$ 500 milhões a US$ 600 milhões na etapa de engenharia.

O KC-390 pode cumprir missões de reabastecimento em voo. O projeto da maior aeronave já construída pela Embraer é destinado a disputar um mercado global avaliado em 700 aviões que serão trocados ou comprados até 2020 em 77 países. Um negócio de US$ 13 bilhões. O birreator adota eletrônica digital de última geração. Voa a 850 km/hora. Cobre 6,3 mil km levando 12,5 mil quilos ou 2,4 mil km com 19 toneladas. Mede 30 metros de comprimento, aproximadamente 29 de envergadura e 10 de altura. A carga útil é de 19 toneladas. A fuselagem abriga 84 soldados de infantaria.

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