194 pessoas são processadas por evasão de divisas

O Ministério Público Federal apresentou nesta sexta-feira à 2ª Vara Criminal Federal, em Curitiba, nove ações penais contra 194 pessoas que cometeram crimes contra o sistema financeiro, promovendo principalmente evasão de divisas para contrabando, corrupção e tráfico de entorpecentes. Elas vinham sendo investigadas havia seis anos.Foram denunciados basicamente agentes de instituições financeiras nacionais e estrangeiras, além de pessoas que teriam "emprestado" contas para que fossem cometidos ilícitos. Entre os denunciados aparecem o ex-presidente do antigo Banco do Estado do Paraná (Banestado), Domingos Tarço Murta Ramalho, toda a diretoria do liquidado banco Araucária, além do ex-governador do Paraná, Jayme Canet Júnior, que teve uma de suas contas "emprestadas". Também foram denunciados os bancos del Paraná e Plus, além das casas de câmbio Imperial, Tupi, Plata, Acaray, América e Real.Segundo o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, as ações apresentadas englobam 400 inquéritos num valor de US$ 5 bilhões desviados ilegalmente de 1996 a 2000. "Não há dúvida sobre a caracterização dos crimes", afirmou. Agora o Ministério Público começa a investigar os depositantes e os receptores desses valores. Entre os depositantes foram identificadas 8 mil pessoas em todo o País. Doze denúncias contra emissores já foram apresentadas em Foz do Iguaçu (PR), Cascavel (PR) e Ourinhos (SP).O delegado federal Paulo Roberto Falcão Ribeiro acredita que até o dia 25 a quebra de sigilo de outras 157 contas na agência do antigo Banestado em Nova York esteja aprovada pelas autoridades norte-americanas. O procurador João Vicente Beraldo Romão disse que as remessas ilegais continuam. "Apenas o sistema mudou, tem menos pessoas e é mais informatizado", disse. Canet Júnior está em viagem ao exterior e o ex-presidente do Banestado não foi encontrado pela reportagem.

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