150 sem-terra fecham sede do Incra no Paraná

Trabalhadores rurais do MLST exigem cesta básica e assentamento

Evandro Fadel e Elder Ogliari, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2011 | 00h00

Cerca de 150 integrantes do Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST) fecharam, durante todo o dia de ontem, o acesso ao escritório do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Cascavel, oeste do Paraná. Eles permitiram que os funcionários entrassem, mas o atendimento à população não foi realizado. Os manifestantes reivindicam cestas básicas e o assentamento de cerca de 450 famílias, que estão há cinco anos acampadas no vizinho município de Corbélia. No fim da tarde, eles deixaram o local. No Rio Grande do Sul, sem-terra bloquearam rodovias.Em reunião realizada em Curitiba, entre o superintendente do Incra no Paraná, Celso Lisboa de Lacerda, e líderes do MLST, ficou acertado que as remessas de cestas básicas devem ser retomadas a partir de segunda-feira. De acordo com o Incra, a entrega estava atrasada em função da greve dos servidores federais.Lacerda também anunciou que foi encerrado o processo de avaliação da Fazenda Piquiri, formada por duas áreas contíguas, numa extensão de 1.214 hectares. A propriedade, que fica em Corbélia, foi oferecida ao Incra pelo proprietário Orlando Carneiro e, hoje, deve ser apresentada a ele a avaliação feita pelos técnicos. Caso a proposta seja aceita, será realizada a audiência pública e a emissão de títulos da dívida agrária. De posse do imóvel, o Incra prevê que sejam assentadas aproximadamente 70 famílias. BLOQUEIOSEm Nova Santa Rita, na região metropolitana de Porto Alegre, o Movimento dos Sem-Terra (MST) participou como apoiador de um bloqueio da BR-386 promovido por sindicatos de trabalhadores, movimentos comunitários e ambientalistas contrários à construção de um depósito de resíduos sólidos numa área rural do município. Centenas de pessoas mantiveram uma barreira na rodovia das 6h30 às 8 horas. O engarrafamento chegou a sete quilômetros no sentido Porto Alegre-interior do Estado e a cinco quilômetros no sentido inverso. A central de resíduos sólidos está sendo construída pela Multti Serviços Tecnologia Ambiental para receber e tratar de rejeitos industriais como terceirizada. Os manifestantes temem que o depósito contamine cursos d?água como o Rio dos Sinos e propriedades agrícolas da região, voltadas para a produção de leite, melões e melancias. A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) confirma que o projeto da empresa tem licença de instalação por obedecer à legislação ambiental.Na cidade de Boa Vista do Incra, região central do Rio Grande do Sul, cerca de 100 sem-terra bloquearam a passagem de veículos pelo Km 20 da RS-481 por diversas vezes durante a manhã. Os agricultores ficaram no meio da rodovia para exibir faixas e entregar panfletos aos motoristas. A cada meia hora liberaram o tráfego, evitando a formação de grandes congestionamentos. O protesto foi encerrado no início da tarde. Segundo Vitor Aldemir da Silva, um dos líderes da manifestação, o objetivo dos bloqueios foi chamar a atenção do Incra para a necessidade de assentamento das 17 famílias que estão acampadas à beira da rodovia. "Estamos morando há anos sob barracas de lona e vivendo de cestas básicas que chegam tarde e são insuficientes", disse. "Precisamos de terra para sair dessa situação."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.