15 maiores fundos de pensão administram 70% do total do País

São de estatais os fundos de pensão com os maiores patrimônios; entre eles o Previ, o Petros e o Funcef

Mônica Ciarelli, de O Estado de S. Paulo,

27 de fevereiro de 2009 | 18h59

Os 15 maiores fundos de pensão do País administram mais de R$ 277 bilhões, ou quase 70% do total movimentado pelas 278 fundações previdenciárias do País. Depois de sucessivas denúncias de desvio de dinheiro e ingerência política, todas as fundações foram obrigadas, a partir de 2001, a adotar o regime paritário, com metade dos diretores indicados pela empresa patrocinadora e a outra metade, pelos participantes do fundo. Veja também: Contra trabalhadores, PMDB tenta assumir fundo de pensão de Furnas   Escândalo do mensalão derrubou diretoria em 2005 Entenda a polêmica do Real Grandeza, o Fundo de Furnas Nos fundos vinculados a empresas privadas, a disputa político-partidária em suas diretorias é praticamente nula. Mas, nos que são patrocinados por estatais, é quase uma regra. Em algumas campanhas eleitorais dos representantes dos funcionários, as chapas são inclusive identificadas fazendo alguma referência às legendas políticas. São de estatais os fundos de pensão com os maiores patrimônios. Previ, do Banco do Brasil, lidera o ranking patrimonial, com R$ 118,8 bilhões (antes da crise financeira, o fundo chegou a acumular mais de R$ 140 bilhões). Do mesmo que a Petros (Petrobras) e Funcef (Caixa Econômica Federal), respectivamente segunda e terceira no ranking, o fundo é hoje um reduto petista. Apesar do processo eleitoral, e da gestão paritária, a indicação do presidente de cada fundo é prerrogativa da empresa patrocinadora, que no caso das estatais têm seu comando aprovado pelo presidente da República. Depois da mudança na legislação, a administração dos fundos ganhou um pouco mais de transparência. Mas, mesmo nas fundações previdenciárias que permanecem fora dos holofotes da política, há divisões partidárias. No Fapes, do BNDES, por exemplo, a diretoria se divide basicamente entre petistas e tucanos. A Fundação Real Grandeza, antes da mudança que se configurou quase como uma intervenção branca, era uma miscelânea partidária, uma conturbada convivência entre representantes indicados pelo PT, PTB, PMDB e PP, todos partidos aliados ao governo. O fundo foi literalmente loteado pelos diferentes partidos políticos e teve a presidência entregue ao petista Marcos Antonio Carvalho Gomes, do grupo do deputado Jorge Bittar. O convívio administrativo entre os diretores era extremamente conflituoso. Gomes chegou a afastar um funcionário da diretoria de Investimentos (entregue ao PTB), depois que aplicações financeiras suspeitas causaram prejuízos ao fundo.Ganharam notoriedade as aplicações de alto risco feitas em bancos de segunda linha, como BMG, Rural e Santos, algumas com aval do publicitário Marcos Valério e nas quais o fundo perdeu uma fortuna. No Banco Santos foram R$ 1,6 bilhão, sendo que o patrimônio do fundo - hoje de R$ 6,3 bilhões - na época não chegava a R$ 5 bilhões.

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