11 milhões de crianças brasileiras vivem na pobreza

Onze milhões de brasileiros de até 6 anos são criados por responsáveis que recebem no máximo dois salários mínimos mensais. São 48,6% do total da população dessa faixa etária no País. Há dez anos, o porcentual era ainda maior: 60,5%. Mais de 12 milhões de crianças com a mesma idade (54,4% do total) vivem em domicílios sem saneamento adequado. Apesar de alto, esse item também melhorou, pois em 1991 o porcentual chegava a 66,2%.Na medição da pobreza, a distância entre os grandes e pequenos municípios é flagrante. Nas cidades que têm entre 10 mil e 20 mil habitantes, o porcentual de crianças na primeira infância que vivem com pais pobres chega a 65,6%. Nas cidades de mais de 500 mil habitantes, o porcentual cai para 32,8%.Em São Paulo está o menor índice: 19,1%. A pesquisa aponta porcentuais elevados como os das cidades de até 5 mil habitantes do Maranhão, onde 85,5% das crianças vivem com responsáveis que ganham até dois salários mínimos.A pobreza revela-se ainda nos dados de que metade dos responsáveis por domicílios tem renda de até R$ 350 mensais: são cerca de 22 milhões de pessoas. Nas cidades com até 20 mil habitantes, a renda mediana (de metade dos chefes de família) era de apenas R$ 200 em 2000. Subia para R$ 220 nas cidades com população entre 20 mil e 50 mil habitantes e R$ 300 nas cidades de 50 mil a 100 mil.Os maiores valores são nas cidades de 100 mil a 500 mil (R$ 420 mensais) e nas que ultrapassam os 500 mil moradores (R$ 540).O IBGE tem usado a renda mediana como parâmetro por considerá-la mais próxima da realidade, já que a grande desigualdade entre ricos e pobres acaba elevando a média, por causa da pequena parte da população que tem renda dezenas de vezes maior que a maioria de baixa renda.Embora as menores cidades tenham renda média e mediana muito abaixo das grandes, a análise separada dos municípios revela exceções. Duas cidades de menos de 5 mil habitantes alcançaram a renda mediana de R$ 1 mil, cinco vezes maior que a das cidades desse porte. Ambas são no Rio Grande do Sul: Monte Belo do Sul e Nova Pádua.Em terceiro lugar está Águas de São Pedro (SP), onde metade dos chefes de família ganha até R$ 800. Por outro lado, há capitais com rendimento mediano muito baixo, como Teresina, onde metade dos responsáveis por domicílios ganha até R$ 295.As cidades pequenas com renda alta dos chefes de família superam até as grandes. Entre os municípios com mais de 500 mil habitantes, a maior renda mediana mensal é de Campinas (R$ 780). Em segundo lugar vem São Bernardo do Campo (R$ 756). Das dez grandes cidades que têm os maiores rendimentos medianos dos chefes de família, seis são paulistas.Além das duas primeiras, Santo André está em quarto lugar (R$ 730), seguida por Ribeirão Preto, São José dos Campos e São Paulo (R$ 700).Em relação às crianças de até 6 anos, a pesquisa mostra ainda que cresceu de 11,2% para 16% a proporção de crianças que mora com responsáveis sem cônjuge. A maior parte vive com responsáveis mulheres. Em geral, são filhos criados apenas pelas mães - separadas, viúvas ou solteiras e, na maioria, pobres. Os filhos dessa faixa etária que vivem com pais descasados são apenas 2,6%.

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