100 cidades do Piauí decretam calamidade

A falta de chuvas e a perda de 80% a 90% da safra agrícola levaram 100 dos 222 prefeitos do Piauí a decretar estado de calamidade em seus municípios. Em algumas cidades, nas divisas do Piauí com Pernambuco e Ceará, barragens e açude estão vazios ou com a pouca água existente imprópria para o consumo, enlameada ou salobra. Em Pio IX, a 434 quilômetros de Teresina, o açude Ingazeira, com capacidade para acumular nove bilhões de litros de água, está completamente seco. Em todo o semi-árido do Piauí, com 62 mil quilômetros quadrados, reservatórios de água estão com apenas metade da capacidade. "Vão secar totalmente, porque aqui no Nordeste temos 30% de perda com a evaporação", adverte o secretário estadual de Defesa Civil, Osmar Araújo. Araújo diz que no semi-árido, onde estão 87 municípios que tiveram as maiores perdas na agricultura, a população é de 709.442 habitantes. A maioria dos moradores está na zona rural: 407.449 pessoas. "São agricultores e suas famílias que colheram muito pouco do que plantaram e logo estarão nas cidades, aumentando a pressão social", alerta o secretário. O governo estadual homologou os decretos de calamidade pública assinados pelos prefeitos e enviou à Secretaria Nacional de Defesa Civil três sugestões para o atendimento dos flagelados: distribuição mensal de 60,5 mil cestas básicas; utilização de 198 carros-pipa para abastecimento das comunidades onde já não existe mais água e atendimento de 81,5 mil famílias com bolsas de trabalho.

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