1º comício de Dilma no RJ tem público de cerca de 6 mil

As centenas de placas e milhares de bandeiras espalhadas ao redor da Igreja da Candelária, no centro do Rio, eram a mostra de que foi pequena a mobilização para a primeira caminhada e comício da candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, na cidade.

ALFREDO JUNQUEIRA, MARCELO AULER E PEDRO DANTAS, Agência Estado

16 Julho 2010 | 20h07

Cerca de 6 mil pessoas, de acordo com a Polícia Militar, encararam a chuva fina que caia sobre a cidade para prestigiar o evento. A petista chegou 45 minutos depois do horário previsto e percorreu apenas metade do trajeto esperado, entre a Candelária e a Cinelândia. Até às 19h20, Lula e Cabral não haviam chegado.

A caminhada provocou o fechamento da principal avenida do centro da cidade, a Rio Branco, e todas as ruas adjacentes. O trânsito ficou um caos e muita gente não pôde pegar o ônibus para voltar para casa.

A maior parte dos militantes vinha de bairros e comunidades populares das zonas norte e oeste do Rio. Vieram em ônibus alugados por políticos que integram a coligação que apoia Dilma e o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), candidato à reeleição. Os veículos ficaram espalhados por várias ruas da região.

Furo

Dilma acabou furando todos os esquemas preparados pela organização do evento. A expectativa era que ela atravessasse a Rio Branco numa picape que ficaria na frente de uma carro que levava fotógrafos. Como chegou atrasada, ela subiu na caçamba de um veículo utilitário, na companhia de seu vice, Michel Temer (PMDB), de Lindberg Farias (PT) e Jorge Picciani (PMDB), candidatos da chapa de Cabral ao Senado.

Também estavam no carro Marcelo Crivella (PRB), que concorre ao Senado sem coligação formal, do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), e do vice-governador do Estado, Luiz Fernando Pezão.

A chuva passou a cair mais forte, o que esvaziou ainda mais a Cinelândia.

Militantes que carregavam bandeiras dos partidos aliados de Dilma e do governador do Rio eram quem resistiam no local. Alguns confirmaram que estavam ali porque recebiam dinheiro para isso. Segundo militantes que carregavam faixas pró-PMDB, o pagamento chegava a R$ 600 por mês.

Protesto

Deputado federal do PP e capitão reformado do Exército, Jair Bolsonaro também compareceu ao evento. Foi, no entanto, para protestar contra Dilma - apesar de seu partido já ter confirmado o apoio informal à candidatura da petista.

O parlamentar pendurou três faixas em postes da Cinelândia. Um deles dizia "Dilma, ficha suja de sangue". O outro, "Dilma, cadê os 2,5 milhões de dólares roubados do cofre do Adhemar (de Barros)", em referência à ação de grupos guerrilheiros dos anos 70, que roubaram o valor do cofre do ex-governador de São Paulo. E "Lula, vá para o Mobral, Dilma, para o Bangu Um".

"Estou mostrando um pouco do passado do qual ela diz que tem orgulho", justificou Bolsonaro, que militava na linha dura do Exército no período da redemocratização do País.

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