1,4 milhão de famílias são alvo de fiscalização

O novo sistema de monitoramento do Bolsa-Família detectou falhas na concessão do benefício. A criação da ferramenta foi anunciada ontem pelo ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias. O ministério está fiscalizando 1,4 milhão de famílias apontadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por problemas que as colocariam fora da linha de pobreza atendida pelo programa. Desse total, 835 mil (cerca de 3% das famílias cadastradas) são efetivamente do Bolsa-Família. As demais estão cadastradas como pobres, mas ainda não foram atendidas.Até agora, o ministério obteve resposta dos municípios sobre 6 mil casos apontados como irregulares pelo TCU. De acordo com a secretária de renda e cidadania, Lúcia Modesto, cerca de um terço deles efetivamente tinha problemas. "Nem todos são casos de fraudes ou má-fé. Há casos, por exemplo, em que o provedor da família morre, aparece na fiscalização como irregularidade, mas a família pode até passar a receber mais, porque ficou mais pobre." Dos casos já fiscalizados, o ministério ressaltou seis destacados pelo TCU que ainda não se confirmaram. Um deles é o de uma beneficiária que teria seis veículos em seu nome, mas não tem carro. O filho, que trabalha numa loja de automóveis, teria recebido do patrão o pedido para a compra em seu nome.Para o ministro Patrus Ananias, o levantamento feito até agora revela que os outros cadastros do governo também têm falhas e não podem ser usados para suspender imediatamente os benefícios. "Alguns casos revelam o uso de famílias pobres para ocultação de bens. Estamos encaminhando esses para o Ministério Público." A fiscalização vai até 30 de outubro. Depois, famílias que não tiverem sua situação atualizada terão o benefício suspenso por três meses.

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