Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

PT defende Dilma, mas critica Levy em SP

Em evento, militantes criticam o que avaliam como golpe contra a presidente, mas reprovam a política econômica do governo

O Estado de S. Paulo

26 de setembro de 2015 | 17h13

O PT comandou, no centro de São Paulo, um ato em defesa do partido e da presidente Dilma Rousseff, mas também apontou ressalvas à política econômica do governo e ao ministro da Fazenda da atual gestão, Joaquim Levy. 

O ato, denominado “Primavera Democrática”, atacou o que o partido avalia ser uma tentativa de “golpe” em curso contra a presidente, alvo de pedidos de impeachment encampados pela oposição e protocolados na Câmara dos Deputados.

Os militantes do PT, com apoio de partidos de esquerda aliados, carregavam faixas com críticas ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e ao presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), acusados por eles de serem “golpistas”. O peemedebista é o primeiro a analisar se algum pedido de impeachment deve ser apreciado ou arquivado. Os manifestantes também levaram mensagens contra o ministro da Fazenda e contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), entusiastas do corte de gastos públicos.

O protesto começou por volta do meio-dia e contou com a participação de movimentos sociais, além de militantes do partido. A expectativa do diretório municipal do PT de São Paulo, organizador do evento, era reunir pelo menos 5 mil pessoas. Até esta edição ser concluída, não havia estimativa de participantes nem por parte dos organizadores nem por parte da Polícia Militar.

Além dos discursos e manifestações políticas, o ato contou com apresentações musicais e mais de 40 barracas, onde era possível comprar sanduíches, refrigerantes e cerveja. O lucro vai ficar com os diretórios zonais do partido na capital.

Embora o PT esteja em uma situação financeira delicada devido ao envolvimento de dirigentes com o esquema de desvios na Petrobrás investigado pela Operação Lava Jato, o objetivo das barracas não é econômico, é simbólico. “A ideia é criar um clima parecido com o que era o PT na origem, quando a gente vendia coisas para poder sustentar o partido”, disse Jorge Coelho, um dos vice-presidentes do PT.

A base do partido decidiu se posicionar contra as propostas de ajuste fiscal encaminhadas pelo governo ao Congresso na semana passada, que incluem corte de gastos e de programas sociais e a recriação da CPMF, o “imposto do cheque”, para custear as despesas da Previdência.

Para a cúpula do PT, a defesa da presidente não significa alinhamento automático com atual a política econômica. 

O pacote fiscal do governo levou movimentos sociais a reavaliar a defesa da gestão. Os setores que pressionam o governo a mudar a política econômica reúnem sindicatos, entidades estudantis e setores ligados à moradia. Na quarta-feira, militantes invadiram o Ministério da Fazenda em Brasília.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.