EVELSON DE FREITAS/ESTADÃO
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Após deixar o PSDB, Matarazzo vai para o PSD

Ex-tucano deve ser lançado candidato a prefeito de São Paulo por Gilberto Kassab

Adriana Ferraz, O Estado de S. Paulo

29 de março de 2016 | 17h01

BRASÍLIA - O vereador Andrea Matarazzo, ex-PSDB, anuncia nesta quarta-feira, 30, sua filiação ao PSD, do ministro das Cidades, Gilberto Kassab. A troca de partido ocorre dez dias após o empresário e apresentador de TV João Doria Jr. ter sido confirmado como candidato a prefeito pelo PSDB. O evento está marcado para as 12h30, no Edifício Joelma, no centro, sede da legenda em São Paulo.

Matarazzo acusa o ex-colega de partido de fraudar as prévias, com compra de votos e pagamento de transporte a filiados nos dias de votação. Doria nega as acusações. No PSD, a expectativa é de que o vereador seja lançado candidato por Kassab, entrando numa briga que já tem o prefeito Fernando Haddad (PT), a senadora Marta Suplicy (PMDB) e o deputado federal Celso Russomanno (PRB), além de Doria, apoiado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB).

A relação entre Matarazzo e o atual ministro das Cidades é próxima. Durante a gestão Kassab na Prefeitura, o ex-tucano ocupou cargos importantes na administração municipal. Foi subprefeito da Sé, secretário de Coordenação das Subprefeituras e de Serviços. A presença de Kassab na cerimônia de filiação era negociada por representantes do partido na tarde de ontem, mas não foi confirmada.

Popular. Em 2012, Matarazzo foi o segundo vereador mais votado da capital. Com 117.617 votos, só perdeu a liderança para Roberto Tripoli, hoje deputado estadual. Na Câmara, sua candidatura é vista com naturalidade pelos colegas. “Matarazzo há tempos vem se preparando para ser candidato a prefeito. Ele diz que não sai de novo para vereador, então, se vai para o PSD é para ser candidato mesmo”, diz o vereador Gilberto Natalini (PV). 

Também ex-tucano, Natalini afirma que o PV tentou convencê-lo a filiar-se ao partido, com a mesma intenção. “Nós também queríamos tê-lo como candidato, mas não deu certo. Nosso tempo de TV é muito pequeno, uma pena.”

Para o vereador Aurélio Nomura, que assumiu o posto de líder do PSDB depois da saída de Matarazzo, a eleição de outubro será definida mais pelas pessoas do que pelos partidos. “Em meio a toda essa crise, candidato, mais do que nunca, vai precisar ter proposta. Quem trabalhar neste sentido é que vai levar”, afirma o tucano, sem citar o nome de Doria, candidato oficial de seu partido.

Para o principal representante do PSD em São Paulo, o vereador José Police Neto, a chegada de Matarazzo fará a legenda crescer. “Vamos ter em nosso quadro o atual vereador mais votado da cidade e com uma candidatura consistente para a Prefeitura, para ganhar eleição”, diz.

A ida de Matarazzo para o PSD ajuda a aumentar os rumores de um possível desembarque do partido da base de apoio da presidente Dilma Rousseff. Opositor ao governo federal, Matarazzo é defensor do impeachment de Dilma e crítico da gestão do prefeito Haddad.


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