André Dusek/ESTADÃO
André Dusek/ESTADÃO

Após ser mantido na Casa Civil, Mercadante se encontra com Lula

Ex-presidente discute reforma administrativa do governo com ministro que, apesar de criticado pela base e pelo PT, segue no cargo

Vera Rosa, O Estado de S. Paulo

18 de setembro de 2015 | 11h51

Atualizado às 16h25

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff disse a ministros do PT que vai manter o chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, apesar das pressões de petistas e também do PMDB. Com essa garantia, Mercadante pediu um encontro com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os dois tiveram uma conversa reservada nesta sexta-feira, 18, em Brasília, para aparar as arestas.

Lula pregava mudanças na Casa Civil por considerar que Mercadante estava desgastado no cargo, com problemas de relacionamento na base aliada. Dilma, porém, avalia que ele é muito importante para ajudar na aprovação do pacote fiscal. Mercadante e o titular da Justiça, José Eduardo Cardozo -- outro alvo das críticas de Lula -- não participaram do jantar do ex-presidente, na quinta-feira, com ministros do PT, em Brasília.

Depois que a "poeira baixar" - expressão usada no Palácio do Planalto -, Dilma quer que a Casa Civil volte a ter perfil mais técnico. O último desenho da reforma ministerial planejada por Dilma também prevê que Ricardo Berzoini, hoje ministro das Comunicações, fique responsável pela articulação política do governo, em dobradinha com o assessor especial da Presidência, Giles Azevedo.

O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, deve permanecer no mesmo cargo. O jornalista Rodrigo de Almeida, hoje assessor do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, será o novo secretário de Imprensa do Palácio do Planalto.

Dilma estuda a conveniência de reunir as secretarias de Políticas para Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos em uma pasta que está sendo chamada informalmente de "Ministério da Cidadania".

Na quinta-feira, na primeira conversa com Dilma após a divulgação do pacote, Lula pediu à presidente que faça uma reforma ministerial mais ampla, para garantir sustentação política no Congresso e evitar o processo de impeachment. Lula disse a Dilma que ela precisa aumentar o espaço dos aliados fiéis e diminuir os cargos dos traidores, porque somente assim conseguirá aprovar o ajuste e barrar iniciativas para afastá-la do Palácio do Planalto.

Na lista dos partidos que comandam ministérios e votaram contra medidas propostas pela equipe econômica na primeira fase do ajuste estão o PP, que controla Integração Nacional; o PR, em Transportes; o PDT, no Trabalho; e o PRB, no Esporte. A avaliação é de que tudo tem de ser feito para impedir que um pedido de impeachment seja aceito na Câmara comandada por Eduardo Cunha (PMDB-RJ) porque, se isso ocorrer, será muito difícil deter sua tramitação com a pressão das ruas.

Apesar de defender mudanças na política econômica e achar que Dilma deveria ter adotado outro caminho para reequilibrar o Orçamento, Lula disse que é necessário "pôr no Ministério quem ajuda o governo no Congresso" para aprovar o quanto antes o pacote fiscal, mesmo se houver recuos estratégicos, como um prazo menor de vigência da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). O ex-presidente sempre defendeu a CPMF, que caiu em 2007, durante seu segundo mandato, por considerá-la um "imposto transparente". À época o tributo era vinculado à saúde e hoje o governo quer que os recursos sejam destinados à Previdência Social.


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