Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Dilma: Queremos um país em que os políticos aceitem o veredicto das urnas

Alvo de movimentos que pedem seu impeachment, presidente defendeu a democracia e a oposição de opiniões pelo 'debate de ideias'

Talita Fernandes, Beatriz Bulla, Gabriela Lara e Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

17 de setembro de 2015 | 12h59

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff dedicou boa parte de seu discurso na cerimônia de recondução do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, nesta quinta-feira, 17, a considerações sobre a Operação Lava Jato, mesmo sem citar diretamente a operação da Polícia Federal. Ela também voltou a reforçar o discurso que tem sido adotado pelo PT para combater as forças políticas que se movimentam para abrir um processo de impeachment.

"Queremos um país em que os políticos pleiteiem o poder por meio do voto e aceitem os veredictos das urnas. Em que os juízes julguem com liberdade e imparcialidade, sem pressões de qualquer natureza e desligados de paixões político-partidários. Jamais transigindo com a presunção da inocência de qualquer cidadão", disse. "Queremos um país em que o confronto de ideias se dê num ambiente de civilidade e respeito. Queremos que opiniões se oponham pelo debate de ideias e pelos contraditórios, posto que ofensas e insultos serão sempre a negação da boa prática e da boa política e da ética. E, em suma, no limite, da própria democracia."

De acordo com a presidente, nesses tempos em que por vezes "a luta política provoca calor quando devia emitir luz" o papel da Procuradoria-Geral da República se torna ainda mais relevante, como defensora da lei, da justiça e da estabilidade das instituições.

Segundo Dilma, todos devem contribuir para que a civilidade prevaleça e para que a tolerância, o respeito e a diversidade voltem a imperar. "Queremos que o Estado de Direito conquistado após intensa e heroica luta dos brasileiros não seja apenas um mero princípio formal entalhado em nossa Constituição, mas uma realidade viva, permanente, expressa em todas as decisões e atos do Poder Executivo, do Poder Legislativo, do Judiciário e do próprio Ministério Público. Queremos, finalmente, que as duras sanções da lei recaiam sobre todos os que praticaram atos (ilícitos), sem exceção, mas nunca com desrespeito do princípio do contraditório e da ampla defesa", afirmou. 

Antes, Janot fez um discurso breve em que se emocionou ao agradecer o apoio da família. Na cerimônia, estavam presentes procuradores da República e autoridades como a ministra Carmem Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF).

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