Fernando Bizerra/EFE
Fernando Bizerra/EFE

'Aliança é com o PMDB e não com as pessoas', diz líder do governo na Câmara

Diante de declarações de Cunha, deputado José Guimarães afirma que relações com o partido continuam e são fundamentais para a governabilidade; ressaltou, ainda, que situação deve ser tratada com tranquilidade

Tânia Monteiro e Daniel Carvalho, O Estado de S. Paulo

17 de julho de 2015 | 15h00

Atualizado às 16h23

Brasília - O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães, em conversa com o Estado, tentou amenizar o clima de enfrentamento que toma conta do Congresso, depois que o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), anunciou na manhã desta sexta-feira (17) rompimento com Planalto. Segundo José Guimarães, apesar das declarações de Cunha, o governo "vai continuar a relação com o PMDB" porque "a aliança é com o PMDB e não com as pessoas". E emendou: "Essa aliança com o PMDB, sob o comando do presidente Michel Temer, é fundamental para a governabilidade e para as vitórias que nós temos tido no Congresso". 

José Guimarães, depois de lembrar que os poderes são independentes e autônomos, ressaltou que o momento é de manter a tranquilidade para tratar a situação. "Não podemos aumentar nossos batimentos cardíacos por isso", afirmou o líder. O deputado José Guimarães repudiou ainda o que chamou de "ilações" tentando responsabilizar o governo por vazamentos de informações e acusações que constam das delações premiadas. Ele se referia às acusações de Cunha de que o governo estava contribuindo para acusá-lo. "Isso não tem sustentação política. O governo nem protege os seus, e nem os outros", avisou Guimarães.

Enquanto o clima ferve no Congresso, a presidente Dilma Rousseff está reunida, no outro lado da rua, no Palácio do Itamaraty com seis presidentes do enfraquecido Mercosul, de onde não deve sair nenhuma decisão política importante. Dilma chegou ao Itamaraty pouco depois das 9 horas. A presidente, no entanto, já foi informada por assessores das falas de Cunha e também das manifestações do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), que, em nota, reafirmou a necessidade de rediscutir o atual modelo de coalizão da manhã e criticou medidas do ajuste fiscal os juros "pornográficos" praticados no País. 

O governo ainda está inerte, sem uma decisão uniforme de como irá se comportar ou reagir às declarações de Cunha de ontem e de hoje, agora acrescidas da fala do presidente do Senado, Renan Calheiros, que faz ameaças veladas em suas novas declarações. 

Interlocutores da presidente consultados pelo Estado disseram que preveem momentos ainda mais difíceis politicamente. O fato de Cunha e Renan estarem sendo alvos de investigações, embora a olhos de alguns possa parecer benéfico para o Planalto, isso gera uma instabilidade política muito grande, é um sinal de que nada mais que seja necessário será aprovado neste Congresso.

 

O problema é que o ajuste fiscal precisa ser concluído no Senado e Renan já avisou que isso não será mais possível. De qualquer forma, o governo tem uma esperança que embora o desenho do cenário de agora, seja o pior possível, que o recesso começando efetivamente, com a saída dos parlamentares de Brasília, o clima possa acalmar. Mas isso é só um desejo, que a maior parte dos assessores palacianos acredita que não se concretizará, ainda que haja previsão de novas informações serem divulgadas a partir das delações da Operação Lava Jato.

Enquanto isso, o vice-presidente Michel Temer, que embarcou no fim da tarde de ontem para São Paulo, permanece na capital paulista, mas com o telefone em punho conversando com seus interlocutores em Brasília, inclusive Cunha e Renan, na tentativa de não deixar que o esgarçamento chegue ao rompimento, que já foi traçado.

Nota. Em nota divulgada nesta tarde, o líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), informou que a bancada do partido na Casa só definirá na volta do recesso parlamentar se acompanha ou não o presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no rompimento com o governo.

"A liderança do PMDB na Câmara dos Deputados comunica que, em respeito à posição expressa de forma pessoal pelo presidente da Casa, Eduardo Cunha, a bancada do PMDB, tão logo termine o recesso, se reunirá para, dentro de suas atribuições estatutárias, demandar realização de reunião das instâncias superiores do partido, de modo a deliberar acerca da posição partidária", diz o comunicado.

Pupilo de Cunha, Picciani não acompanhou a entrevista do presidente da Câmara porque se encontra no interior do Rio de Janeiro.

Neste momento, Temer ainda mantém uma agenda de viagem para Nova York, prevista para domingo. Na segunda-feira, até agora, Temer tem palestras marcadas para ajudar o governo a vender o Brasil lá fora. O primeiro compromisso é na Universidade de Cornell. Na terça, estará em uma associação de advogados norte-americanos para uma nova palestra a empresários que investem no Brasil, seguida de almoço. 

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