Joedson Alves/Estadão
Joedson Alves/Estadão

Youssef passa bem a noite e deve ter alta em até 48 horas, diz PF

PF desmente boatos espalhados pelas redes sociais de que delator de esquema de corrupção na Petrobrás teria sido envenenado

Murilo Roncolato, Ivan Marsiglia, Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

26 de outubro de 2014 | 11h44


Atualizado às 23h16.

Horas antes de começar a votação do 2.º turno e ao longo da manhã deste domingo, 26, começaram a circular boatos pela internet e por celular sobre a suposta morte por envenenamento do doleiro Alberto Youssef. Preso desde março sob custódia da Polícia Federal por envolvimento no esquema de desvios na Petrobrás, ele foi internado no sábado, em Curitiba, após uma forte queda de pressão arterial.

Desde a noite de sábado, mensagens compartilhadas por e-mail e pelo aplicativo WhatsApp diziam que Youssef teria sido morto por envenenamento, “e não por enfarte como será anunciado”. No fim do texto, pedia-se para repassar para o “mácimo (sic) de eleitores. Não podemos votar o 13 neste domingo”. A PF chegou a divulgar nota para negar a falsa informação.

O boato foi reproduzido em diversos locais de votação no País. Em uma seção eleitoral no Itaim-Bibi, zona sul de São Paulo, a reportagem do Estado chegou a ser abordada por uma mulher que dizia ter visto uma cópia do prontuário de Youssef indicando a morte por envenenamento.

Em Higienópolis, durante entrevista coletiva do ex-presidente Fernando Henrique, no Colégio Sion, onde o tucano vota, o vereador paulistano Andrea Matarazzo (PSDB) foi ouvido comentando o caso pelo celular. “É boato, infelizmente. Mas digamos que é um bom boato.”

A caminho do seu apartamento, FHC foi questionado por um eleitor se sabia da morte do doleiro. “Não sei”, respondeu.

O boato também foi comentado pelo tucano Aécio Neves, em Belo Horizonte. O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), ligou para o correligionário para falar sobre o estado de saúde do doleiro. Na porta da escola onde Aécio votou, militantes tucanos diziam aos eleitores que o doleiro teria sido “assassinado pelo PT”. 

“Não se pode especular além disso, nem ficar especulando sobre um crime”, disse Aécio, pela manhã. “Espero que ele continue bem para dizer aos brasileiros, até o final, tudo que sabe sobre esse vergonhoso esquema de corrupção na Petrobrás.”

Em Porto Alegre, ao votar, a presidente Dilma Rousseff não quis comentar o caso. Em nota divulgada pela campanha do PT, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, considerou a onda de falsas notícias “inaceitável” e “deplorável”. Para ele, trata-se de uma tentativa de influenciar o voto à presidência no dia da eleição. “É fato que em eleições sempre acontecem situações desta natureza, mas essas últimas horas foram extremamente pesadas na tentativa de criar situações”, disse.

‘Profissionais’. O texto que circulou no fim de semana credita as informações sobre a falsa morte de Youssef a um médico chamado Gileno Setubal, que não tem registro na página do Conselho Federal de Medicina (CFM). Outra falha é na assinatura da mensagem, cujo nome é de um suposto jornalista do Rio apresentado como Roberto Feldmen, que aparece com registro profissional incorreto. 

Youssef foi preso em março na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que investiga esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas com movimentação estimada em R$ 10 bilhões. Parte desse dinheiro veio de desvios envolvendo contratos da Petrobrás, conforme informações da investigação e dos depoimentos em delação premiada de Youssef e do ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa.

Reportagem de capa da revista Veja divulgada na sexta-feira dizia que Youssef teria dito que tanto Dilma quanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teriam conhecimento do esquema de desvios na estatal. A publicação foi classificada de “terrorismo eleitoral” pela presidente e criticada pelos petistas, que obtiveram direito de resposta da Justiça Eleitoral.

Na sexta-feira, integrantes da União da Juventude Socialista (UJS), vinculada ao PC do B, promoveram um ato de vandalismo na sede da editora, na zona oeste de Pinheiros, criticada por entidades de mídia e também pelos dois presidenciáveis.

No domingo, ao votar, Lula afirmou estar “tranquilo” sobre as acusações. “Acho que esse Youssef deve ter contado uma mentira. Eu não sei o que prometeram a ele, porque o cara que está com delação premiada, ele recebe promessa”, disse. “Lamentavelmente, só conheci esse cidadão pelas páginas policiais. Mas acho que a gente não tem que ficar nervoso, nada como um dia após o outro.”

Após mal-estar, quadro é ‘estável’

Na tarde deste domingo, 26, o Hospital Santa Cruz divulgou boletim informando que o estado de saúde do doleiro Alberto Youssef, que teve apenas queda de presão no sábado, é estável. Segundo o cardiologista Rubens Zenobio Darwich, o paciente apresentou resultados de “exames laboratoriais e complementares dentro da normalidade”. O médico disse que ele está “lúcido”. / JULIO CESAR LIMA, ESPECIAL PARA O ESTADO

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