Samuel klickSam/ Arquivo Pessoal
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Wilson Witzel ameaça dar voz de prisão a Paes, que pede ‘respeito’

Candidato do PSC acusa campanha do DEM de produzir fake news; ‘Governar é dialogar’, diz ex-prefeito do Rio

Roberta Pennafort e Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2018 | 16h57
Atualizado 10 Outubro 2018 | 12h24

RIO - O candidato do PSC ao governo do Rio, Wilson Witzel, acusou nesta terça-feira, 9, a campanha de seu adversário no segundo turno, Eduardo Paes (DEM), de produzir fake news contra ele. Ex-juiz federal, Witzel disse, em um vídeo gravado, que dará voz de prisão a Paes, caso o ex-prefeito cite “alguma mentira ao vivo” para atacá-lo em debates.

“A política está sendo feita de forma irresponsável. O crime de injúria é de pequeno potencial ofensivo e está sujeito à voz de prisão. Se for praticado durante programa de televisão, a gente vai parar na delegacia”, disse o candidato do PSC.

Paes rebateu as declarações de Witzel. “Governar, num regime democrático, é dialogar, responder, ser cobrado pela imprensa, pelo Ministério Público”, afirmou o ex-prefeito. “A gente vai para um debate para inquirir e ser inquirido, para perguntar e ser perguntado, para discutir temas importantes para o Estado e para todos. Então, ele (Witzel) vai ter que aprender que, na política, tem que ter respeito ao eleitor, à imprensa, ao adversário, às pessoas que fazem a transparência do regime democrático”, declarou Paes.

Witzel se disse vítima de fake news ao se referir à afirmação de que sua campanha tem apoio do empresário Mário Peixoto, que, segundo uma delação da Lava Jato no Rio, teria ligação com o esquema de corrupção do ex-governador Sergio Cabral (MDB). O ex-juiz negou ter recebido doações e qualquer relação com Peixoto.

Paes rechaçou a acusação de que teria disseminado notícias falsas na internet contra o adversário. “É uma calúnia”, disse o ex-prefeito. “Mas vou ouvir a calúnia dele, a injúria dele, e não vou dar voz de prisão a ele.” 

Em transmissão ao vivo feita na noite de segunda-feira, Witzel já havia feito críticas dirigindo-se diretamente ao oponente do DEM, lembrando sua citação em delação da Lava Jato. “Saia do armário, mostre sua cara. Será o primeiro candidato com voz de prisão ao vivo num debate”, disse o candidato do PSC.

‘Direitos humanos para humanos direitos’, diz Witzel

Witzel afirmou a apoiadores, na zona oeste, que defende “direitos humanos para proteger humanos direitos”. Ao falar sobre segurança pública, disse que a resposta para criminosos que “procuram a violência” será “na bala”, caso seja eleito. 

O candidato do PSC também colocou em dúvida a autoria de uma carta divulgada por alunos da Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio (Uerj), da qual foi professor, que diz que ele “mostrou despreparo” como docente. O texto também critica o que chama de “fascismo sem pudor” do candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL), apoiado por Witzel.

O ex-juiz federal afirmou que está recebendo acenos de empresários e fundos de investimento estrangeiros dispostos a investir no Estado num eventual governo. “Com um governador equilibrado, que tem respeitabilidade, que já declarou que não vai ser sócio de empresário, cúmplice de empreiteira, vai haver a oportunidade para gente decente investir no Rio.”

Paes fica 'neutro' na eleição presidencial 

Paes elogiou Bolsonaro, mas disse que é “neutro” na disputa presidencial e que, oficialmente, seu partido não definiu como se posicionará. “Acho que essa radicalização que a gente está vendo, inclusive na crítica, é muito ruim. Mantenho minha posição de neutralidade.” 

Em agenda de campanha nos bairros de Santa Cruz, Campo Grande e Bangu, Wiztel atribuiu a ameaça à forma irresponsável com a qual se faz política. "O crime de injúria é de pequeno potencial ofensivo e está sujeito a voz de prisão. A política está sendo feita de forma irresponsável. Se for praticado crime de injúria durante programa de televisão, a gente vai parar na delegacia", afirmou.

"Cuidado com sua língua. Você é despreparado emocionalmente, já deu soco na cara de uma pessoa na rua. Eduardo, volta para Nova York e fica por lá", continuou.

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