Thomas White/Reuters
Thomas White/Reuters

WhatsApp em massa viola uso do aplicativo

Prática não é considerada crime eleitoral, a não ser que a lista de números de celular usada tenha sido comprada

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2018 | 05h00

A prática adotada por diversas empresas que atuaram nas campanhas eleitorais no Brasil, de espalhar mensagens em massa pelo aplicativo WhatsApp, viola as políticas da empresa. Reportagem do Estado mostrou que os candidatos declararam gastos, neste ano, de ao menos R$ 2,6 milhões pelo envio de “disparos” – ou seja, quando há uma grande quantidade de mensagens enviadas ao mesmo tempo. 

Empresas que oferecem esse tipo de serviço geralmente usam mais de uma conta – em alguns casos, com números de celular de fora do Brasil – para replicar o número de mensagens enviadas, o que pode ser considerado spam. A prática não é considerada crime eleitoral, a não ser que a lista de números de celular usada tenha sido comprada.

O número de disparos de mensagens contratadas por um só candidato, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), chegou a um milhão, o que seria praticamente impossível sem o uso de algum tipo de robô. “Nenhum tipo de automatização é permitido”, disse um funcionário de engenharia e integridade da empresa.

O impacto desse tipo de serviço não é mencionado pela companhia. Eles dizem que não conseguem mensurar a quantidade de vezes em que um mesmo conteúdo foi compartilhado ou se houve teor político no envio, pois não têm acesso ao conteúdo das mensagens. 

“Já que não sabemos o conteúdo das mensagens, não conseguimos saber se elas estavam associadas a uma empresa de marketing. É impossível para nós dizer exatamente o número de mensagens que foram enviadas por essas empresas”, disse a vice-presidente de Políticas e Comunicação do WhatsApp, Victoria Grand. Empresas que praticam a irregularidade serão notificadas extrajudicialmente, afirmou. 

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