Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Wagner: 'Lula me conhece muito e sabe que vou com ele até o final'

Ex-governador da Bahia deu declaração em Curitiba dias após ter afirmado PT poderia ser vice de Ciro Gomes

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

03 Maio 2018 | 19h36

SÃO PAULO - Após visitarem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sala especial onde o petista está preso, em Curitiba, a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PT), e o ex-ministro Jaques Wagner reforçaram que o único plano do partido é lançar a candidatura de Lula à Presidência da República.

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A visita ocorreu após o desconforto causado na cúpula do PT com o comentário de Wagner admitindo que o partido poderia aceitar ser vice de Ciro Gomes (PDT) na eleição presidencial. 

O ex-governador baiano procurou reforçar que não trabalha com outro plano além da pré-candidatura do ex-presidente nas eleições. "Ele me conhece muito e sabe que, desde a primeira hora, eu já disse que eu vou com ele até o final de linha", disse o ex-ministro. 

O ex-ministro voltou a falar, no entanto, na possibilidade de Lula não participar da eleição. "Se acontecer a interdição dele, aí no momento a gente vai discutir, lá na frente. Por enquanto nem ele não discute isso." Wagner disse ainda que não "pensa" em outra coisa a não ser caminhar para provar a inocência do ex-presidente. 

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Os dois conversaram em momentos distintos com Lula na tarde de quinta-feira, 3, após a juíza Carolina Lebbos, da 12ª Vara de Execuções Penais de Curitiba, autorizar que o petista recebesse visitas de amigos e aliados políticos por uma hora toda quinta-feira, dia destinado aos familiares. Gleisi se reuniu por 40 minutos com Lula, e Wagner ficou outros 20, conforme relato dos dois.

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Gleisi rechaçou a possibilidade de uma negociação com Ciro Gomes. "Ciro não é a pauta do PT nem da conversa [com Lula]", afirmou a presidente da legenda.

'Desconjurado' 

Gleisi usou a entrevista coletiva após a visita a Lula para reforçar que Lula será o candidato do partido, mesmo preso e condenado em segunda instância, e que o ex-presidente está "desconjurado" com a situação da economia brasileira. A parlamentar citou alguns dados da economia, comparando com os períodos governados pelo PT.

"Ele se disse desconjurado com a situação da economia brasileira. O presidente está muito preocupado com a situação brasileira, não discutimos sobre seu processo, sobre o enfrentamento que tem de fazer. Ele disse que fica pensando no Brasil o tempo inteiro e esse é um dos motivos de ele ser candidato à Presidência da República", declarou a senadora.

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Na tarde de hoje, o PT começou a discutir publicamente o plano de governo de Lula no local onde manifestantes pró-Lula se reúnem, em área próxima ao prédio da Polícia Federal. A presidente do partido afirmou que Lula ficou satisfeito com a discussão sobre o plano de governo ter começado na área econômica e que o petista também pediu para o partido voltar a discutir enfaticamente a situação habitacional do País, solidarizando-se com as famílias vítimas da queda de um prédio ocupado em São Paulo na última terça. 

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