‘Vou esperar os agentes da Polícia aqui em casa’, diz Jefferson

Em sua casa no interior do Estado do Rio, delator do mensalão fala em 'muita tensão' e diz que não quer ficar na Papuda

Entrevista com

Fábio Grellet - O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2013 | 02h09

COMENDADOR LEVY GASPARIAN (RJ) - O ex-deputado federal Roberto Jefferson afirma que não pretende se apresentar à Polícia Federal quando sua ordem de prisão for expedida, como fizeram outros 11 condenados no processo do mensalão. Ele aguardará em casa a chegada dos agentes da PF. Ele diz também que prefere não ficar na Penitenciária da Papuda: "Acho complicado ir para Brasília. Todos os meus desafetos estão lá".

Delator do esquema do mensalão, em 2005, Jefferson mora em Comendador Levy Gasparian, a 130 km do Rio, pertinho de Minas Gerais, onde tem duas casas num bairro longe do centro. Foi lá que, bem-humorado e vestindo uma camisa do Botafogo, concedeu entrevista ao Estado.

Como passou os últimos dias?

Foi um estresse, uma tensão danada. Essa é a hora da verdade, houve trânsito em julgado, agora não tem mais do que fugir, tem que acatar (a decisão judicial). É o momento de maior tensão (desde a denúncia em 2005).

Já decidiu o que fará quando a ordem de prisão for expedida?

Vou esperar os agentes da PF aqui em casa (em Levy Gasparian). Aqui recebo meus pais, meus filhos e netos, converso com eles todo dia, me distraio.

Conversa também sobre a expectativa de prisão?

Sobre o processo eu converso sempre com meu advogado, Marcos Pinheiro de Lima. Não sei o que vai acontecer, tem a possibilidade de prisão domiciliar, mas preciso esperar.

Caso tenha que ir para a prisão, prefere Brasília ou o Rio?

Acho complicado ir para Brasília. Todos os meus desafetos estão lá na Papuda. Tem inclusive alguns condenados por homicídio, em um processo no qual eu fui assistente de acusação. Acho que o ideal é ficar no Rio, ou aqui. Mas não vou sofrer por antecipação.

O que achou da reação dos condenados já presos, como Dirceu, Genoino e Henrique Pizzolato?

Nada surpreendeu. O desabafo de Genoino e Dirceu, aquele gesto com o braço, foi normal.

Desde quando está em Levy Gasparian?

Vim na quarta-feira. Não vou voltar ao Rio. O Rio é um lugar muito chato. Para chegar ao centro a gente gasta uma hora, uma hora e meia.

Tem tido contato com amigos?

Converso com os amigos pela internet e por telefone, e recebo muito apoio de todos eles. Com a população eu não tenho contato, porque não tenho saído muito.

Qual a sua rotina?

Faço ginástica todo dia. Meu problema não é mais o câncer (no pâncreas). A cirurgia foi enorme, tive que tirar 4/5 do estômago, 1/3 do fígado, a vesícula, o duodeno e outros órgãos. Tenho feito exames, os chamados marcadores de câncer no sangue. Não vou ter mais problemas com a doença, o câncer foi superado.

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