Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

'Voto útil é inútil', diz Alvaro Dias

Candidato do Podemos à Presidência disse que estimular o voto útil é deseducar politicamente o eleitor e afirmou que não abre mão da candidatura

Caio Rinaldi, Marianna Holanda e Paulo Beraldo, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2018 | 11h54

O senador Alvaro Dias, candidato do Podemos à Presidência da República, afirmou nesta quarta-feira, 19, que estimular o voto útil no primeiro turno é um erro. "Considero o voto útil inútil. É deseducar politicamente o cidadão. Temos que induzir o cidadão a escolher o melhor, a investigar, a avaliar. Por isso existem dois turnos", defendeu. As declarações foram dadas no Fórum Páginas Amarelas, da revista Veja, que recebe outros presidenciáveis nas eleições 2018

Questionado se aceitaria abrir mão da candidatura para apoiar outro candidato, Alvaro negou e disse que seria uma atitude covarde fazê-lo. "Seria um covardaço, um patife, se renunciasse agora. Não vim para esse confronto pelo poder, vim no cumprimento de uma responsabilidade. Vou até o último minuto desse jogo na esperança de ir para o segundo turno", afirmou. 

Perguntado se apoiaria algum candidato no segundo turno, Alvaro diz que não trabalha com a hipótese de não ir para o segundo turno. "Não apoiaria nenhum candidato no segundo turno que não seja o número 19". No debate, disse ainda que há um desejo coletivo por mudança no Brasil e criticou adversários. 

Em sua avaliação, o próximo presidente precisa reunir qualidades que não são verificadas em nenhum dos dois nomes. "O presidente tem que ser 50% gestão e 50% comunicação. Tenho como meu vice-presidente o economista Paulo Rabello de Castro, que poderá cuidar na parte da gestão, enquanto eu me foco na comunicação com entidades, associações, sindicatos, com a sociedade em geral", disse, em resposta sobre a implementação de uma agenda de reformas macroeconômicas.

Ao final da sabatina, Dias fez uma análise individual de cada candidato. "Torço para que Bolsonaro se recupere muito bem do ocorrido (facada na barriga no dia 6 de setembro) e que curta as praias do Rio de Janeiro, mas governar o Brasil é para gente competente", iniciou.

Já em relação a Haddad, Dias avalia que ele é o "porta-voz da tragédia que está se desenhando". Sobre Geraldo Alckmin (PSDB), o ex-governador do Paraná disse que ele representa a "manutenção do sistema liderando uma arca de Noé que só pode afundar o Brasil". Dias declarou que falta a Marina Silva (Rede) a força necessária para encarar os problemas que devem ser endereçados pelo próximo presidente e que Henrique Meirelles (MDB) "ficou devendo muito e é um dos artífices do paraíso dos bancos ao Brasil". 

Ciro Gomes, por sua vez, recebeu a crítica menos contundente de Dias. "Ele já disputou duas eleições, teve duas oportunidades e agora vive a terceira, deveria me apoiar nessa". 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.