Andre Penner/AP
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'Voto útil é insulto à experiência popular', diz Ciro Gomes

Candidato do PDT afirmou que quer ser eleito por pessoas que o consideram a saída para o Brasil restaurar o diálogo e não por quem 'não queria votar em outro'; Ciro voltou a atacar CNA, entidade que a senadora Kátia Abreu, sua vice, já presidiu

Marcelo Osakabe e Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2018 | 12h06
Atualizado 18 de setembro de 2018 | 14h36

O candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, declarou nesta terça-feira, 18, que, apesar de terem um passado de proximidade e aliança, seu projeto de governo não é o mesmo do PT de Fernando Haddad. O pedetista afirmou considerar o apelo ao voto útil, pregado desde já por parte dos adversários, como um "insulto à experiência popular". Ciro voltou a atacar Confederação Nacional da Agricultura (CNA), entidade que a senadora Kátia Abreu, sua vice, já presidiu. Segundo o pedetista, a CNA virou hoje um grupo de fascistas e apoiadores de Jair Bolsonaro (PSL)

Mais cedo, em entrevista à Rádio CBN, o petista disse que, pela relação histórica, ele e Ciro podem estar juntos em um possível segundo turno, independentemente de qual dos dois avance. Questionado por jornalistas sobre a declaração, o ex-governador do Ceará tentou se desvencilhar. "Sim, se olhar para os últimos 16 anos, estivemos juntos e tentei ajudar. Mas o projeto que eu advogo para o Brasil não é o mesmo do PT. Quero ajudar a população a por um fim nessa violência odienta, nesse sectarismo e radicalização política que infelizmente está levando nossa economia para o brejo", disse.

Ciro participou de um encontro na Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), na região central da capital paulista. Antes da reunião, o pedetista também rebateu qualquer estratégia para atrair o voto de Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede) para evitar a vitória do PT ou de Jair Bolsonaro (PSL). "Para um democrata, a presunção é confiança no voto popular. Então, acredito que essa história de voto útil é um insulto à experiência popular", criticou.

"Eu não quero ser eleito por alguém que botou a mão no nariz e votou em mim porque não queria votar em outro. Quero ser eleito porque represento a saída para o Brasil, que precisa restaurar o diálogo e acabar com essa ameaça fascista que não é nem tanto o Bolsonaro, mas o vice dele, que está deixando clara essa posição", disse, enumerando as declarações dadas pelo General Hamilton Mourão na segunda-feira, 17. 

CNA e Katia Abreu

Ciro defendeu a escolha de Katia Abreu para a sua vice e atacou a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), entidade que a senadora já presidiu. Segundo o pedetista, a CNA virou um grupo de fascistas e apoiadores de Jair Bolsonaro (PSL).

O presidenciável argumentou que a escolha de Katia Abreu complementa a sua candidatura, que precisa olhar para além do eleitorado e os parlamentares progressistas num eventual governo. "Como acham que vou conseguir revogar a PEC 95? Preciso de 308 votos em quatro votações. Estou preparado para ceder em algumas coisas. A Katia me completa", defendeu.

O presidenciável criticou ainda os que pensam que é possível fazer política sem abrir espaço para o contraditório e disse que não sofre da "síndrome de Freixo", em relação ao deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ). "Freixo é um cara tão puro, honesto, com essa intransigência maravilhosa, olha quem ele elegeu", comentou. Em 2016, Freixo perdeu a eleição para a Prefeitura do Rio para Marcelo Crivella (PSC).

Segundo Ciro, o candidato do PT, Fernando Haddad, teria o mesmo problema. "Haddad é um baita de um cara, bonitão, um FHC redivivo, e acabou de entregar São Paulo para Doria no primeiro turno." O pedetista, no entanto, disse que tal comportamento não "desqualifica a pessoa".

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