Reprodução/Twitter de Manuela D'Ávila
Reprodução/Twitter de Manuela D'Ávila

Voto útil e disputa de hashtags ganham espaço no debate sobre eleições no Twitter

FGV analisou dados de interação entre grupos de apoiadores dos candidatos à Presidência

O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2018 | 14h35

Debates sobre voto útil no primeiro turno das eleições 2018 ganharam projeção no Twitter durante a corrida presidencial, de acordo com a Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas, que analisou dados de interação entre grupos de apoiadores dos candidatos à Presidência. Foram analisados 2,5 milhões de retuítes coletados de sexta, 14, a segunda, 17. 

Passada a centralidade do debate presidencial em torno do atentado sofrido por Jair Bolsonaro (PSL) no último dia 6, as discussões em torno do chamado voto útil e, relacionada a esta, o voto de mulheres, vem crescendo. A criação de uma página no Facebook de mulheres contra Bolsonaro, no fim de semana, impulsionou o uso de hashtags como #elenão, usada para manifestar oposição ao candidato, e que também fez apoiadores reagirem em defesa do deputado do PSL.

O debate ampliou uma discussão que já ganhava espaço na rede, em relação ao voto útil, à medida que saem novas pesquisas de intenção de voto e discute-se qual candidato seria mais forte para enfrentar Bolsonaro num eventual 2º turno com ele. 

A FGV identificou cinco grupos de mobilização relacionados a candidatos na rede: de apoio a Ciro Gomes (PDT), Fernando Haddad (PT), Marina Silva (Rede), João Amoêdo (Novo) e Jair Bolsonaro (PSL). Há ainda mais dois grupos em que não há definição de apoio a determinado candidato: o grupo "rosa", de críticas a Bolsonaro, discussões sobre o 2º turno e sobre o movimento de mulheres; e o grupo "rosa escuro", que destaca posicionamento político de artistas e marcas.

Maior grupo em número de perfis (39,6%) e terceiro maior em interações (13,2%), o grupo rosa tem entre os tuítes de maior repercussão críticas a Bolsonaro e a seus seguidores e que discutem quem teria mais chances de vencê-lo: Ciro Gomes ou Fernando Haddad. Algumas publicações divulgam ou cobram de artistas e marcas seus posicionamentos em relação ao deputado federal. A invasão da página "Mulheres Unidas Contra Bolsonaro" no Facebook também se destaca, junto a acusações contra o presidenciável e parte de seus apoiadores.

O grupo que manifesta amplo apoio a Bolsonaro é o segundo em número de perfis (21,2%), mas é o que gera mais retuítes: 49,4%. Nele, Bolsonaro é o principal influenciador, com destaque para publicações de sua conta oficial que abordam sua recuperação, criticam o PT e afirmam que não há divisão interna em sua campanha. São recorrentes mensagens de mulheres em apoio ao candidato e em oposição ao movimento #elenão, além de postagens de elogio ao que consideram ser uma postura honesta em uma campanha com poucos recursos.

O grupo com publicações de apoio a Fernando Haddad traz como principais influenciadores o próprio candidato do PT, Manuela D'Ávila, Lula e Lindbergh Farias. A entrevista de Haddad ao "Jornal Nacional" é o tema mais recorrente nas principais publicações, que fazem críticas ao jornalista William Bonner. Também há comparações entre a investigação do assassinato de Marielle Franco e a do atentado a Bolsonaro, além de críticas a este e a seu vice, general Hamilton Mourão. Parte das publicações questiona o voto útil em Ciro, destacando a subida de Haddad nas pesquisas.

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