Voto em Aécio é voto 'no retrocesso', diz Lula no Rio Grande do Sul

Voto em Aécio é voto 'no retrocesso', diz Lula no Rio Grande do Sul

Em passagem pela capital do Estado, ex-presidente participou de comício de campanha para Tarso Genro (PT) e também criticou aumento do conservadorismo no Congresso

Lisandra Paraguassu, enviada especial, O Estado de S. Paulo

22 de outubro de 2014 | 15h32

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, 22, que o voto no candidato do PSDB à presidência da República é um voto "no atraso, no retrocesso". "É uma disputa entre duas propostas para o Estado e para o País. Se querem o Brasil de 15 anos atrás ou se querem avançar", discursou em um comício para mais de 6 mil pessoas no centro de Porto Alegre.  

Lula, que passou apenas duas horas na capital gaúcha, fez o último comício de campanha de Tarso Genro, em uma tentativa de reverter o quadro negativo para o PT no Estado, onde Tarso está 16 pontos atrás do candidato do PMDB, José Ivo Sartori, de acordo com a última pesquisa Ibope, divulgada na terça.


Lula disse, ainda, que o Congresso eleito este ano é pior do que o anterior,  fruto desse retrocesso e da negação da política. "Toda vez que a elite nega a política o que vem depois é muito pior. Porque ninguém é capaz de consertar a política sem fazer política", afirmou."Vocês achavam o  Congresso ruim?  O eleito agora é um pouco pior. Os ruralistas cresceram, a bancada dos empresários cresceu, e os representantes dos trabalhadores caíram à metade. Essa é a negação da política".

O ex-presidente pediu ajuda os votos de quem optou por Marina Silva no primeiro turno. Essas pessoas, disse, têm a "obrigação moral" de votar em Dilma porque essa seria a única possibilidade de avanço. 

Lula ainda fez ironias com o candidato tucano, afirmando que Aécio nunca chegava ao Rio Grande do Sul porque parava antes no Rio de Janeiro. Na verdade, o candidato do PSDB esteve no Rio Grande do Sul no último sábado. 

Também foi irônico ao tratar do papel da imprensa. "Nossa imprensa tão democrática, que fala o que quer, independente, livre, que não tem partido nem candidato. Nunca fala mal de mim ou da Dilma" , disse, afirmando ainda ter "ficado estarrecido" com a revista inglesa The Economist,  que em artigo disse que o Brasil deveria eleger Aécio. 

"Eu pensei: acabamos de ganhar a eleição. Porque Dilma não é candidata dos banqueiros, é a candidata do povo. Fizemos muito mais que eles em todo o século passado,  discursou. 

Lula disse não entender o "ódio contra o PT". As pessoas sabem que eu sempre disse que seria o presidente de todos", afirmou. "Isso não é divergência. Isso nos aprendemos a compreender. Não é divergência política,  de projetos ou ideológica. As pessoas se incomodam porque os mais humildes podem ir à um restaurante ou porque estão viajando para a Argentina, estão indo para Miami,  levam os filhos para ver o Mickey".

Lula ainda lembrou do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que creditou a vitória de Dilma na região nordeste à desinformação. "Como uma pessoa com tanto estudo é tão desinformado? Ele não conhece esse País", disse. 

Lula defendeu a candidatura de Tarso dizendo não entender uma "aposta no escuro" , em "alguém que não assume nem seu partido", referindo-se ao slogan  de Sartori "meu partido é o Rio Grande". O ex-presidente deixou o Rio Grande do Sul logo depois do comício, enquanto Tarso estava em mais um debate, dessa vez, na  rádio Guaiba. 

Tudo o que sabemos sobre:
EleiçõesLulaAecio Neves

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.