Voto de legenda no PSB cresce mais de 120%

Partido que lançou a candidatura de Marina Silva (PSB) à Presidência ficou em quarto entre os que mais registraram voto na sigla

Beatriz Bulla e Ricardo Britto, O Estado de S. Paulo

21 de outubro de 2014 | 16h55

Brasília - Enquanto os três partidos com maiores bancadas na Câmara dos Deputados reduziram a votação em legenda de 2010 para 2014, o PSB aumentou em mais de 120% a quantidade de votos no partido recebidos neste ano. Foram 659,9 mil votos depositados na legenda para a Câmara, ante 297,7 mil votos no pleito anterior.

O partido, que antes ficava atrás de siglas como o DEM, o PV e o PDT na lista de siglas com maior votação em legenda, subiu para a quarta colocação nesse quesito e perdeu neste ano apenas para PT, PMDB e PSDB.

Nos dois principais colégios eleitorais do partido no País, São Paulo e Pernambuco, o PSB cresceu de forma expressiva. O voto na legenda para a Câmara dos Deputados em São Paulo cresceu impressionantes 505,6% - de 23 mil eleitores para 139,3 mil. Em Pernambuco, o aumento foi de 81%: de 62,2 mil para 112,7 mil. Esse Estado é o berço político de Eduardo Campos, o ex-presidente do partido e ex-candidato a presidente da República, que morreu em acidente de avião em agosto. 

O crescimento da sigla com votos em legenda é visto por Julio Delgado, deputado federal do PSB e presidente do diretório mineiro da sigla, como consequência natural da maior apresentação de candidatos majoritários nas eleições deste ano. Além de apresentar candidatura à presidência da República, o partido lançou 11 nomes para disputar os governos estaduais. Em 2010, foram nove candidatos a governador pelo PSB, sem ter lançado candidato ao Palácio do Planalto. "Tivemos uma chapa mais pesada em 2014. O número de candidatos aumentando, a militância aumenta também", afirmou Julio Delgado.

O curioso é que o partido estava preocupado dias antes da votação do primeiro turno com a falta de identificação entre Marina Silva e o número "40", do PSB. Em sua última participação em um debate na televisão, Marina usou, inclusive, um broche com o número na lapela do blazer amarelo. 

Argelina Cheiub, professora do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), aponta que o crescimento do PSB está ligado à projeção que o partido ganhou, não só com a candidatura de Eduardo Campos, mas com os acontecimentos ligados à morte do ex-presidente do PSB e à candidatura de Marina Silva. 

"É um aumento dramático considerando a trajetória do partido. Pelo nível de intenção de votos que Campos tinha quando era candidato, vemos que esse efeito não é só da candidatura dele", disse a professora da Uerj.

O cientista político e professor do Insper Carlos Melo aponta que o PSB apareceu no "contrafluxo" do desgaste vivido por grandes partidos como PT e PSDB e carregou o eleitorado de Marina Silva, que votaria na Rede Sustentabilidade se o partido tivesse se viabilizado a tempo da eleição.

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