Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

'Voto com meu partido', diz Skaf sobre eleição de Dilma

Peemedebista cita Temer, mas não a presidente, e afirma fazer campanha 'estadualizada' contra PT e PSDB

Ana Fernandes, Wladimir D’Andrade e Roldão Arruda, O Estado de S. Paulo

08 de agosto de 2014 | 23h34

Para não declarar apoio a Dilma Rousseff na eleição presidencial, o candidato do PMDB ao governo paulista, Paulo Skaf, disse ontem que votará no presidente de seu partido, Michel Temer - que disputa a reeleição à Vice-Presidência na chapa da petista. "O meu voto pessoal, como cidadão, é para o presidente do meu partido. Eu voto com meu partido", afirmou o peemedebista.

Quinto candidato a participar da série Entrevistas Estadão, Skaf publicou recentemente em seu perfil no Facebook um vídeo ironizando a proximidade de sua campanha ao PT. O fato provocou polêmica no PMDB, aliado do governo Dilma. Nesta sexta-feira, ao ser indagado se moderou suas afirmações após ser enquadrado por Temer, respondeu: "Não é perfil do vice-presidente enquadrar pessoas, e também não é meu perfil receber enquadramento de ninguém."

O candidato deixou claro na entrevista sua preocupação em se diferenciar do PT, cuja candidata a presidente tem taxa de rejeição de 38% no Estado, e do PSDB, que está no poder há 20 anos.

"Tanto o PT quanto o PSDB são meus adversários. O palanque do PT é do PT, o nosso palanque é nosso palanque. Se misturasse essa história, confundiria o eleitor", disse Skaf. "Há 20 anos São Paulo polariza entre PT e PSDB. Há 20 anos o Estado é governado pelo mesmo partido, pelas mesmas pessoas, pela mesma visão, mesma forma de fazer as coisas. A nossa proposta é tratar de uma forma diferente, buscando uma gestão de resultados."

Sem espaço para Dilma. Skaf foi evasivo ao ser questionado se fará eventos de campanha ao lado de Dilma. Temer tenta articular uma agenda comum no interior do Estado e chegou a escolher o local para isso: Jales. O candidato disse que sua agenda muda constantemente - "a de amanhã mudou duas vezes" - e resumiu: "Não tenho nenhuma confirmação de agenda para o final do mês e não vou precipitar o assunto."

O peemedebista usou estilo semelhante quando perguntado se o seu material de campanha vai incluir o nome de Dilma: "Temos quase 500 candidatos, de toda a coligação, concorrendo a cargos de deputado federal, deputado estadual, senador. Todos fazem material de campanha", disse. "Você vai achar material que tem o nome da presidente e material que não tem. Em nosso material, a eleição estará toda focada em São Paulo."

Alianças partidárias. A escolha do PMDB para disputar o governo e as alianças partidárias com PSD e PP, ambas fechadas na undécima hora, também foram abordadas na entrevista. A resposta adotou um tom personalista: "O candidato a governador sou eu. Quem vai governar sou eu. Entrei na política para fazer diferente. Não tem como renovar se ficar olhando para trás ou falando de outras pessoas".

Sobre os partidos aliados, como o PP do deputado Paulo Maluf, presidente estadual da legenda que posou para foto ao lado do petista Alexandre Padilha antes de a sigla se coligar ao PMDB, Skaf disse que "recebeu" o apoio e não podia recusá-lo.

"Houve uma decisão do PP, que decidiu apoiar a nossa candidatura. Foi uma decisão partidária, tanto que o Maluf disse em entrevista que o presidente muitas vezes é presidido", explicou. "Eu disse: 'Sejam muito bem vindos, porque eu preciso ser conhecido no Estado, porque apenas um terço das pessoas sabem que existe uma opção'. Precisamos de tempo de TV e rádio."

O mesmo teria acontecido em relação ao PSD. "O governador Geraldo Alckmin convidou o Kassab para ser candidato a senador em sua chapa, mas ele não aceitou e decidiu me apoiar. É claro que recebi o Kassab e o PSD de braços abertos."

Foto com Maluf. O candidato do PMDB não apareceu até agora em nenhuma imagem ao lado de Maluf, que não estava ontem entre os apoiadores e aliados políticos que acompanharam a entrevista no auditório do Estadão. Perguntado se faria uma foto com o aliado, esquivou-se: "A foto do Alckmin ocorreu quando ele foi ao encontro de Maluf em 2010. O Padilha também foi ao encontro dele agora. Eu não fui. Então não existe essa foto. Não aconteceu."

A data correta da foto com tucano é maio de 2011. Foi feita quando Alckmin esteve na convenção do PP, com o objetivo de convidar o partido para integrar seu governo.

Estilo empresarial. Além da preocupação em acentuar diferenças com petistas e tucanos, Skaf, que é presidente licenciado da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), pontuou toda a entrevista com afirmações de que pretende imprimir um estilo empresarial ao governo: "Sou a favor de uma experiência empresarial para São Paulo."

Ainda no estilo empresarial, repetiu três vezes que não pretende aumentar impostos. "Não vou defender nenhum aumento de imposto Impostos e tarifas. Vou buscar eficiência na gestão, redução de gastos, melhores resultados."

Candidatos populistas. Ao responder sobre aumentos nos valores de tarifas de serviços públicos, como metrôs e ônibus intermunicipais, caso seja eleito, Skaf chamou de "populistas" os candidatos que respondem negativamente. "Não quero agredir ninguém, mas uma resposta populista seria dizer não. Eu também não tenho vontade de aumentar preço, mas isso depende de questões inflacionárias."

Tempo integral. De maneira geral, Skaf evitou detalhar propostas de governo, preferindo destacar de maneira genérica que vai buscar eficiência em todos os setores. Um dos poucos temas em que definiu mais claramente o que pretende fazer foi o da educação.

O candidato prometeu implantar em toda a rede estadual de ensino fundamental um sistema de tempo integral, semelhante ao que existe nas escolas mantidas pelo Serviço Social da Indústria e Comércio (Sesi).

O sistema seria implantado de forma gradativa, a partir de 2016, para os alunos que ingressarem no primeiro ano do ensino fundamental. O ciclo, segundo Skaf, deixaria de ter aprovação automática. "É um investimento que vai ao longo de nove anos. Um investimento acima de R$ 1 bilhão, em média."

Crise da água. Ao comentar a crise hídrica no Estado, Skaf criticou candidatos que afirmam ser necessário desenvolver estudos para resolver o problema, afirmando que já existem projetos e falta apenas executá-los. "Há um plano para a macrometrópole que foi feito em 2004, na primeira crise de abastecimento. O que faltou foi execução."

Ainda sobre a crise no abastecimento de água, disse considerar a situação gravíssima. "A verdade é que o governo pode empurrar a situação até o fim do ano, mas termina o ano com a caixa d’água zerada."

Em seguida às críticas, porém, disse que a hora é de união e disse ser contra o "uso eleitoral" da crise, motivo de divergência entre Alckmin e Padilha na série Entrevistas Estadão. "O que precisamos agora é colaborar com o governo. Ele errou, mas não é hora de brincar com o assunto, nem usar com intenção eleitoreira."

Parcerias com empresas. Outro ponto enfatizado em diversos momentos da entrevista de Skaf foi a parceria com empresas privadas que ele pretende estabelecer em todo o Estado. Citou obras de infraestrutura, construção do metrô e também de presídios. "O orçamento do Estado deve ser usado para saúde, educação e segurança", afirmou. "Nas questões de infraestrutura devemos usar os mecanismos de PPPs (parceria público privada) e concessões."

Cartel de trens. Questionado sobre as denúncias sobre a ação de um cartel no fornecimento de equipamentos e serviços para a rede de trens e metrô paulista, Skaf disse que não está na campanha para "julgar" nenhum adversário nem o governador, mas ressalvou que qualquer administração tem de estar atenta aos gastos públicos: "O governo tem que perceber quando está pagando algo mais caro. Em nosso governo, não vamos dar espaço a nenhum tipo de cartel, nenhum tipo de corrupção, de forma nenhuma", afirmou.

Estilo personalista. Skaf rebateu críticas feitas a ele de que teria imprimido um estilo personalista e com interesses eleitorais à sua administração na Fiesp, em especial sobre suas aparições em anúncios e campanhas da entidade.

O candidato afirmou que executivos nos Estados Unidos costumam fazer isso "há 20 anos", quando o objetivo é "dar credibilidade" à empresa. "As campanhas da Fiesp não foram vazias. Foram campanhas para trazer resultados para a sociedade, para a competitividade do País."

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