'Votar por cargos é ruim', afirma deputado petista

Recém-nomeado líder do partido, Vicentinho ataca PMDB, que ameaça fazer oposição ao governo por não ter novo ministério

Entrevista com

ANDREZA MATAIS, EDUARDO BRESCIANI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2014 | 02h03

Líder do PT na Câmara, o deputado Vicentinho (PT-SP) critica a ameaça do PMDB de votar contra o governo por não ter sido atendido na reforma ministerial. "Votar por cargos é muito ruim." Ele assumiu a liderança do PT neste mês e, neste ano eleitoral, sua missão será controlar os ânimos da bancada evitando críticas ao governo Dilma Rousseff.

Como o senhor avalia a reação do PMDB ameaçando derrotar projetos do governo?

Espero que o PMDB vote contra o governo quando se tratar de projetos concretos contra o povo, mas ameaçar não votar com o governo por causa de cargos é muito ruim. O PMDB já é um partido contemplado com vários ministérios.

Acha que eles estão esquecendo que são governo, como o senhor diz?

Eu estou lembrando. O PMDB tem muitos deputados sérios.

Concordou com o gesto do deputado André Vargas de afronta ao ministro Joaquim Barbosa?

O gesto é muito comum. Genoino fez, Dirceu fez, Mandela fez, estou até preocupado que queiram tirar os títulos do Corinthians por causa do Sócrates. Ele mesmo declarou que foi meio de brincadeira..

O senhor também é crítico de Joaquim Barbosa?

Me frustra o jeito odioso como ele se comporta. Ele age com ódio, é incompreensível. Ele não aceita uma crítica, um jornalista foi humilhado. É uma postura que nós criticamos.

Como líder, o senhor vai visitar os presos do mensalão?

Irei na hora em que tiver necessidade e que for permitido. Quando você tem um filho, ele é preso, não vai visitar ele? Eles são companheiros nossos.

O senhor fez alguma doação nas campanhas dos condenados?

Não cheguei a fazer por pura falta de oportunidade.

Vai fazer para o José Dirceu, que está aberta?

Quero ajudar, vou ajudar. Por isso também minha profunda crítica à irresponsabilidade das declarações do Gilmar Mendes (ministro do STF que levantou suspeita de lavagem de dinheiro nas doações). O Gilmar quando fala eu já desconto.

O senhor defende o "volta Lula" para 2018?

O Lula, graças a Deus, está com muita saúde. A presidente Dilma vai cumprir esse mandato, se Deus quiser vamos reelegê-la. 2018 é outra história.

Eduardo Campos poderia ser o candidato do PT nessa eleição? É viável uma conciliação para 2018?

Poderia ser nosso candidato em 2018, mas puxou a corda demais. Não sei qual será a gravidade dos debates na campanha. Vamos supor que tenha 2.º turno com o PSDB, o Eduardo pode vir com a gente. Então não se pode nunca fechar as portas.

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