Votação da CPMF vira arma contra ex-ministra

Após presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, explorar veto de Marina Silva ao imposto, PSB afirma que o PT ‘mente’

Daiene Cardoso e Ricardo Brito , O Estado de S. Paulo

29 de setembro de 2014 | 21h35

Brasília - A seis dias para o 1.º turno da sucessão presidencial, o novo embate entre as líderes nas pesquisas de intenção de voto gira em torno de um tributo sepultado em 2007 e que marcou a maior derrota do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso: o fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). 

Em mais uma ação para tentar desconstruir a adversária do PSB, Marina Silva, a candidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff, questiona o posicionamento da ex-senadora na votação da criação do chamado “imposto do cheque”, quando ainda estava no partido. Isso porque, em entrevistas recentes, Marina disse que votou a favor da CPMF.

Na primeira pergunta no debate da TV Record, no domingo à noite, Dilma questionou como a ex-petista votou na ocasião. Marina respondeu que foi a favor. Entretanto, registros do histórico de votações do Senado mostram que a ex-senadora votou em 1995 contra a criação do imposto e, em 1999, também se opôs a sua prorrogação.

Em 2002, Marina não registrou presença na votação. Numa outra votação, a de um projeto de lei que tratou da regulamentação da CPMF em 1996, o PT votou favoravelmente. A proposta passou pelo Senado em votação simbólica, portanto não houve registro nominal de nenhum dos parlamentares, inclusive de Marina Silva. Numa jogada ensaiada, a campanha de Dilma começou a divulgar inserções insinuando que a candidata mentiu ao afirmar que votará favoravelmente à CPMF. 

A campanha do PSB reagiu ontem. Em nota, insistiu que o PT “distorce” e “mente” sobre a questão e que a reação de Dilma é a “manobra de desesperados”. Para a campanha, o PT “pinçou” momentos da votação para dizer que a presidenciável votou contra a CPMF e que Marina votou contra as propostas que significavam uma “distorção da finalidade social” da contribuição. “O caso da CPMF é mais um ato da incansável campanha de fofocas e mentiras do PT, que distorce a história para tentar tirar proveito eleitoral. É mais uma peça do marketing selvagem daqueles que, apavorados diante da possibilidade de se verem destituídos de poder ter um pedaço do Estado para chamar de seu, atacam, mentindo”, declarou a campanha. 

Fundo. Marina diz que em 1999 liderou a instalação de uma Comissão Mista do Congresso Nacional para analisar a criação do Fundo de Combate à Pobreza proposto pelo senador Antonio Carlos Magalhães, na época parlamentar do PFL, apesar da oposição do PT. “Nas discussões na Comissão Mista que analisou o projeto, Marina, ao lado do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), foi uma defensora do uso da CMPF para a formação do Fundo. A liderança do PT na comissão era contrária à medida e só mudou de posição quando o relator da Comissão, deputado Roberto Brant (PFL-MG), incorporou sugestões articuladas pela senadora.”

A campanha explica que as emendas aprovadas na comissão foram retiradas na votação em plenário. Por isso, a ex-senadora se opôs ao projeto. “Esse movimento é que vem sendo exposto de forma distorcida na propaganda política do PT. Com dados parciais retirados do contexto inventa-se e repete-se uma mentira. Manobra de quem perdeu a cabeça e as medidas. Manobra de desesperados”, afirma a nota. 

A campanha de Marina estuda até uma forma de interpelar juridicamente a campanha do PT. “O PT tira do contexto e dá como verdade absoluta. É uma estratégia cínica do PT”, reagiu o coordenador adjunto da campanha, Walter Feldman. 

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